Paralamas ontem, hoje e sempre...
Banda completa 40 anos de carreira com show que percorre quatro décadas de repertório no encerramento do projeto Noites de Verão, neste sábado, no Morro da Urca
Banda completa 40 anos de carreira com show que percorre quatro décadas de repertório no encerramento do projeto Noites de Verão, neste sábado, no Morro da Urca
Os Paralamas do Sucesso sobem neste sábado, dia 7, ao Morro da Urca para encerrar o projeto Noites de Verão, que desde dezembro trouxe shows ao cartão-postal carioca. O trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone apresenta o espetáculo "Paralamas Clássicos", show concebido em 2020 que reúne 33 faixas selecionadas ao longo de quatro décadas de carreira, percorrendo a discografia da banda desde o álbum de estreia, "Cinema Mudo", lançado em 1983, até o mais recente trabalho de estúdio, "Sinais do Sim", de 2017. No palco, além da formação principal, estão os músicos que acompanham o grupo há décadas: João Fera nos teclados, Monteiro Jr. no saxofone e Bidu Cordeiro no trombone.
Com 27 discos lançados e uma trajetória que ajudou a definir a sonoridade do rock brasileiro a partir dos anos 1980, os Paralamas se consolidaram como uma das formações que mais transitaram entre gêneros musicais no país. O repertório de "Paralamas Clássicos" evidencia essa variedade: das influências do rock inglês nas primeiras gravações, como "Fui Eu" e "Mensagem de Amor", passando pela incorporação do reggae e do dub em "A Novidade" e "Melô do Marinheiro", até o refinamento pop que marcou a produção dos anos 1990 com faixas como "Tendo a Lua" e "Busca Vida". O diálogo com a música latina também está presente em "Trac-Trac" e "Lourinha Bombril", demonstrando a capacidade do grupo de absorver referências sem perder identidade sonora.
Entre as 33 canções selecionadas para o show, estão aquelas que documentam momentos políticos do Brasil recente. "Alagados", lançada em 1986 no álbum "Selvagem?", tornou-se um dos registros mais contundentes sobre desigualdade social na música popular brasileira. "O Beco", "Perplexo" e "O Calibre" seguem na mesma linha, oferecendo leituras críticas sobre violência urbana e autoritarismo. Por outro lado, o repertório também contempla as canções de temática amorosa que marcaram a trajetória do grupo: "Meu Erro", "Lanterna dos Afogados", "Aonde Quer Que Eu Vá" e "Seguindo Estrelas" figuram entre os sucessos radiofônicos que ajudaram a popularizar a banda para além do circuito do rock. Completam o repertório faixas como "Vital", "Óculos" e "Ela Disse Adeus", que atravessaram décadas mantendo relevância.
A proposta do espetáculo é revisitar os sucessos sob uma perspectiva histórica, oferecendo ao público uma síntese da trajetória do grupo. Em "Caleidoscópio", Herbert Vianna conduz a canção por solos de guitarra com influência blues, enquanto em "O Beco" a bateria de João Barone ganha protagonismo. O baixo de Bi Ribeiro constrói a base sonora ao longo de todo o show, sustentando a arquitetura das canções. A formação ampliada, com metais e teclados, permite que arranjos originais sejam recriados ao vivo com fidelidade às gravações de estúdio.
Em 2023, ao completar 40 anos de existência, os Paralamas optaram por celebrar a marca com uma turnê focada nos clássicos, apresentando-se tanto em festivais de grande porte quanto em cidades do interior do país. A passagem pelo Lollapalooza daquele ano teve recepção positiva de público e crítica, consolidando o formato do show. Desde então, "Paralamas Clássicos" segue como o principal espetáculo do grupo, oferecendo um panorama da obra construída desde a década de 1980. O encerramento do projeto Noites de Verão no Morro da Urca marca mais uma apresentação dessa turnê que atravessa o país há dois anos, reafirmando a presença da banda na cena musical brasileira e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações de ouvintes.
SERVIÇO
PARALAMAS DO SUCESSO — PARALAMAS CLÁSSICOS
Morro da Urca (Avenida Pasteur, 520 - Urca)
7/2, às 22h
Ingressos a partir de R$ 240 e R$ 120 (meia)~*
*Ingresso do bondinho incluído
