Paul McCartney, um beatle reinventado
O documentário 'Man on the Run', de Morgan Neville, retrata a década transformadora do ex-beatle após o fim da banda e a criação dos Wings
O documentário 'Man on the Run', de Morgan Neville, retrata a década transformadora do ex-beatle após o fim da banda e a criação dos Wings
A ruptura dos Beatles em 1970 deixou uma pergunta que reverberou fortamente por toda a indústria musical: o que acontece quando alguém acorda na manhã seguinte após deixar a banda mais importante de todos os tempos? Paul McCartney tinha uma resposta: agir, recomeçar. Em abril daquele mesmo ano, lançaria seu primeiro álbum solo, simplesmente intitulado "McCartney", e quando questionado sobre seus planos futuros, disse apenas que pretendia "crescer". O documentário "Paul McCartney: Man on the Run", dirigido por Morgan Neville, investiga justamente essa década de transformação e renascimento criativo que se seguiu e fez dele o mais popular entre os ex-beatles.
Neville, cineasta vencedor de Oscar, Emmy e Grammy por trabalhos como "Won't You Be My Neighbor?" e "20 Feet From Stardom", constrói uma narrativa que examina a vulnerabilidade e os desafios enfrentados por Paul durante a formação e ascensão dos Wings, a banda que formou nesta nova fase de sua carreira e que reunia sua mulher Linda McCartney (vocal e teclados), Denny Laine (vocal e guitarra), Denny Seiwell (bateria) e Henry McCullough (guitarra).
Após um início morno, a banda se tornou uma vitrine para as habilidades magistrais de composição de Paul e acabou por tornar-se o grupo pop mais vendido da década de 1970, com impressionantes 27 hits no Top 40 dos EUA e cinco álbuns consecutivos em primeiro lugar, incluindo os aclamados "Band on the Run" (1973) e "Wings at the Speed of Sound" (1976).
O documentário se apoia em imagens de arquivo, fotografias feitas por Linda McCartney em várias situações e entrevistas com Paul, Linda, suas filhas Mary e Stella, além de diversos integrantes dos Wings, Sean Ono Lennon, Mick Jagger e Chrissie Hynde, entre outros, também dão depoimentos ao cineasta. O resultado é um retrato íntimo de um período que, embora comercialmente bem-sucedido, foi marcado por profundos questionamentos artísticos e pela necessidade do artista provar seu valor fora do contexto que o consagrou, sobretudo a parceria com John Lennon.
O documentário será lançado nos cinemas de países selecionados, com cada sessão incluindo uma conversa especial entre Paul e Neville. Após a exibição nas salas de cinema, o filme chega ao Prime Video em 27 de fevereiro, disponível em mais de 240 países.
O lançamento de "Man on the Run" integra um movimento mais amplo de reavaliação do legado dos Wings. Em 2025, foi publicado o livro "Man on The Run: Paul McCartney nos Anos 70, de Tom Doyle, descrito pelo jornal "The Sunday Times" como "a história de um homem que escalou todas as montanhas e decidiu começar tudo de novo". Tanto o documentário quanto o livro reafirmam a reinvenção musical de Paul naquela década, oferecendo novas perspectivas sobre um período frequentemente reduzido pela crítica como uma mera continuação de sua genialidade nos Beatles.
Paralelamente, a coleção "Wings" foi lançada em diversos formatos, de box com três LPs a 32 faixas digitais com novas mixagens em Dolby Atmos. A antologia, curada pelo próprio Paul, traça a trajetória da banda desde sua formação até se consolidar como um dos maiores sucessos comerciais da história da música. O início de 2025 também marcou os 50 anos de "Venus and Mars", um dos álbuns mais reverenciados dos Wings.
A turnê comemorativa do artista, batizada de "Got Back", que correu o mundo ao longo de 2025, demonstra que, aos 82 anos, Paul mantém a energia e o compromisso com a música.
