A arte de cantar (bem)
MPB4 retorna ao Rival Petrobras em duas noites de celabração ao melhor de nossa canção popular
MPB4 retorna ao Rival Petrobras em duas noites de celabração ao melhor de nossa canção popular
O Teatro Rival Petrobras volta a receber neste sábado e domingo (31 e 1º) um dos grupos vocais mais longevos e respeitados da música brasileira. Com mais de seis décadas de trajetória, o MPB4 apresenta o espetáculo "MPB4 e Rival - A arte de cantar", uma apresentação presta tributo a Angela Leal, figura visionária que abriu as cortinas do Rival para a MPB e transformou o histórico teatro da Cinelândia num dos principais pontos de encontro da cultura carioca. No sábado, o grupo terá a participação espcial do grupo vocal Ordinarius (um dos tantos influenciados pelo MPB4) e no domingo será a vaez do cantor e composotor Tiago Amud, um dos mais festejados artistas de sua geração.
Formado atualmente por Miltinho, Aquiles Reis, Dalmo Medeiros e Paulo Malaguti Pauleira, o MPB4 carrega consigo uma história que atravessa gerações e perpassa todos os momentos políticos vividos pelo país nesse período. Nascido em 1965, no início da ditadura militar, o grupo surgiu da união de quatro jovens que cantavam em corais universitários e encontraram na harmonia vocal sua forma de resistir. A formação original, que se manteve por quatro décadas, incluía Ruy Faria, Magro Waghabi, Aquiles e Miltinho. Foi um dos períodos de maior estabilidade e reconhecimento artístico de um conjunto vocal no Brasil, conquistando público e crítica com interpretações sofisticadas que iam da bossa nova e do samba à canção de protesto, passando por vários ritmos. Em comum, a excelência vocal e a sofisticação musical.
Quando a censura atingia duramente a produção artística, o MPB4 encontrou nas entrelinhas das harmonias vocais e na escolha criteriosa de repertório que expressasse a defesa intranbsigentes dos valores democráticos. canções como "Roda Viva" (Chico Buarque), "Amigo É Pra Essas Coisas" (Aldir Blanc e João Bosco), "Vira Virou" (Kleiton & Kledir), "A Lua" (Renato Rocha), "Cálice" (Chico Buarque e Gilberto Gil) ganharam do grupo interpretações definitivas e que são páginas de ouro a história de nossa música.
O repertório do espetáculo se ancora em dois álbuns fundamentais para compreender a relação do grupo com o Teatro Rival: "A Arte de Cantar", de 1995, e "MPB4 ao Vivo - Melhores Momentos", de 1999, ambos gravados no palco do Rival. O roteiro propõe uma viagem temporal que resgata momentos emblemáticos dessa parceria de mais de três décadas. O público será conduzido a 1992, ano do aclamado "Brasil de A a Z", espetáculo que percorreu o alfabeto da música brasileira com maestria interpretativa.
A apresentação também revisita 1995, quando o quarteto gravou no Rival o disco que celebrava seus 30 anos de estrada, e 2012, com o show "Contigo Aprendi", marco que representou um dos momentos mais delicados e transformadores da história do grupo.
Aquele ano de 2012 ficou gravado na memória do MPB4 e de seus admiradores como um divisor de águas. O grupo perdia Magro Waghabi, vítima de câncer aos 68 anos, interrompendo uma formação que havia resistido por décadas aos desafios da indústria fonográfica e das mudanças de gosto do público.
Substituir um integrante que havia ajudado a moldar a identidade sonora do quarteto era um desafio técnico e, sobretudo, emocional. Coube a Paulo Malaguti Pauleira, cantor, compositor e arranjador com passagem pelo grupo Céu da Boca e pelo Arranco de Varsóvia, assumir essa responsabilidade. Sua estreia oficial no Teatro Rival, naquele 2012, selou a renovação e garantiu a continuidade de um projeto artístico singular na música brasileira.
A relevância artística do MPB4 está muito além dos números e de sua longevidade. O quarteto se estabeleceu como referência de qualidade interpretativa, sendo reconhecido pela capacidade de harmonizar vozes com precisão técnica sem perder a emoção e a espontaneidade.
Nesses 60 anos, o MPB4 gravou dezenas de álbuns, participou de festivais decisivos para a música brasileira e dividiu palco com os maiores nomes da MPB. Mais do que isso, o MPB4 se tornou guardião de um repertório que vai de Noel Rosa a Tom Jobim, de Chico Buarque a Milton Nascimento, mantendo viva uma tradição de máximo respeito ao cancioneiro popular.
SERVIÇO
MPB4 E RIVAL - A ARTE DE CANTAR
Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia)
31/1 e 1/2, sábado (19h30) e domingo (17h)
Ingressos a partir de R$ 50
