Bossa em três tempos
Aos 88 anos, Roberto Menescal, o último criador vivo do gênero se apresenta com Cris Delanno e Theo Bial em festival gratuito nas areias de Ipanema
Affonso Nunes
Aos 88 anos, Roberto Menescal segue provando que a bossa nova não é um gênero do passado, mas uma linguagem viva que atravessa gerações. O único dos criadores da bossa ainda em atividade participa de dois shows especiais nesta semana reunindo no palco três gerações do movimento que transformou a música brasileira nos anos 1950.
Na quarta participação no Festival Rio Bossa Nossa, marcada para este domingo (25) na Praia de Ipanema, Menescal repete a parceria vitoriosa com a cantora Cris Delanno e o jovem violonista Theo Bial. "Deu tão certo que não posso mudar, a partir dali eu fiz com Cris e Theo dois lindos trabalhos que estão sendo sucesso", justifica o veterano músico, compositor, arranjador e produtor.
A química entre os três resultou em projetos recentes que renovam o repertório clássico. Menescal e Delanno lançaram "O Lado B da Bossa", segundo álbum da dupla que recebeu elogios da crítica especializada. Já com Theo Bial, seu mais recente pupilo, o veterano realizou tour no Japão ao lado de Lisa Ono e apresentou espetáculo com lotação esgotada no Blue Note e em Juazeiro (BA). Juntos, já compuseram duas músicas, sendo uma ainda inédita.
Cris Delanno celebra 35 anos de parceria com Menescal, que produziu e arranjou vários de seus discos. "Neste show, fazemos as músicas do álbum e outras canções que foram marcantes na nossa história como, por exemplo, 'Saudade Fez Um Samba', 'Corazón Partío' e 'Samba de Uma Nota Só'", revela a cantora.
O repertório privilegia o chamado "lado B" da bossa nova, reunindo composições menos conhecidas do grande público, mas fundamentais na trajetória do gênero. Canções como "Esse seu olhar/Promessas", de Tom Jobim e Newton Mendonça, "Deixa", de Baden Powell e Vinicius de Moraes, "O negócio é amar", de Carlos Lyra e Dolores Duran, "Chora tua tristeza", de Oscar Castro-Neves, e "Mentiras", de João Donato, ganham novos arranjos criados especialmente para o show.
Acompanhado por seu trio - Adriano Giffoni, João Cortez e Adriano Souza -, Menescal reflete sobre a longevidade de sua missão artística. "Eu aos 18 anos era um cara começando a tocar violão, empolgado com tudo que aparecia, com a mudança do samba-canção pra Bossa Nova. Hoje, sei que tenho essa missão de continuar nos palcos da vida e de mostrar cada vez mais a nossa Bossa para o mundo", afirma o violonista.
"São músicas que a gente adora, tem a cara de todas as gerações, a cara da gente", comenta Theo. E o velho Menescal chega a filosofar: "Reviver a bossa com diferentes gerações traz saudade do que a gente fez mas também saudade do futuro".
SERVIÇO
FESTIVAL RIO BOSSA NOSSA 2026 - ROBERTO MENESCAL, CRIS DELANNO E THEO BIAL
Praia de Ipanema (altura do nº 746 da Av. Vieira Souto), a partir das 17h
Grátis
