Voz é pra cantar ese fazer compreender

O cantor e compositor Deco Fiori faz de seu segundo álbum solo, 'Cada Verdade Que Eu Sonhar', mais um belo repositório de canções

Por Affonso Nunes

Deco Fiori leva o clima do Clube da Esquina ao seu mais novo trabalho: boas influências são sempre bem vindas

O cantor e compositor Deco Fiori faz de seu segundo álbum solo, 'Cada Verdade Que Eu Sonhar', mais um belo repositório de canções

Dez canções autorais compõem "Cada Verdade Que Eu Sonhar", segundo álbum do cantor, compositor e instrumentista Deco Fiori. O trabalho, lançado pelo selo Clube Novo, reafirma a parceria com o produtor Marcílio Figueiró, responsável também por "Luz da Criação", de 2024. Entre influências que transitam de Beatles à MPB e Clube da Esquina, o álbum celebra sonhos e memórias numa bela sequência de canções emolduradas por arranjos assumidamente com jeito de Clube da Esquina e pelo ótio timbre do cantautor.

A faixa-título abre o disco numa balada de questionamentos existenciais. O próprio artista explica que a composição nasce de uma perspectiva sem certezas absolutas, mas repleta de esperança como no refrão "nossa memória, nossa história não vai se apagar / não enquanto houver canções / inspirando gerações / a botar o mundo pra rodar".

O álbum mantém diálogo reverente às excelentes referências que o músico carrega. "Outras Paragens" convida à dança com violões gitanos de Figueiró, congas de Fabiano Salek, baixo de Berval Moraes e sax de Daniel Garcia. "Toda e Qualquer Geração" compartilha ideais humanistas em tempos de amores líquidos e inteligências artificiais.

"O Meu Mundo Cabe em Meu Quintal", que o compositor define como sua "Certas Canções", celebra as canções formadoras de sua musicalidade, pontuada pela guitarra de Gustavo Corsi e o trompete de José Arimatéa.

A sofisticação melódica está em "Folhas pelo Chão", que dialoga com Stevie Wonder e Ivan Lins. "Libra" busca equilibrarar-se entre Djavan e Pink Floyd. "Pra Qualquer Lugar" dedica-se à companheira de estrada, com flautas de Andrea Ernst Dias. "Tão Iguais" traz Pedro Luís em dueto sobre romances virtuais.

O álbum fecha a tampa com "Que Negócio é Esse?", homenagem ao poeta Marcio Negócio, com sanfona de Itamar Assieri e bandolim de Luis Barcelos, num questionamento sobre a pressa. Aliás, não se requer preça para ouvir as canções de Deco.

Divulgação - Cada Verdade que Eu Sonhar, de Deco Fiori