Beth Carvalho, uma vida para o samba
Biografia mostra como a cantora encarou o samba como uma profissão de fé
Luana de Carvalho, única filha de Beth Carvalho, em depoimento à biografia "Beth Carvalho: uma Vida pelo Samba", de Rodrigo Faour, conta que o diagnóstico inicial no problema da coluna da cantora foi de artrose e artrite. Mas, ao realizar exames, constatou-se um tumor no sacro, o osso localizado na base da coluna. Desde então, a artista enfrentou diversos problemas que a fizeram usar cadeira de rodas. Luana contou que nesse tempo a cantora também recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Após tratamento oncológico, o sacro perdeu a capacidade coagulativa, de acordo com relato da filha. Com isso, o osso atacado com a doença infeccionava constantemente, o que levou a artista à morte, em abril de 2019, aos 72 anos, por infecção generalizada, depois de mais uma década de luta contra a enfermidade.
A biografia, que será lançada no Rio ainda este mês na Livraria da Travessa (Av. Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon), integra o projeto Sambabook, que inclui ainda um álbum com regravações de músicas registradas pela sambista. O pesquisador Rodrigo Faour, autor da "História da Música Popular Brasileira sem Preconceitos", entre outras obras, centra o relato essencialmente na carreira musical de Beth Carvalho. O coordenador do Sambabook, Afonso Carvalho (ex-produtor da Beth) conta que a escolha de Faour para assumir o livro foi da própria artista quando soube em vida que seria homenageada pelo projeto.
A abordagem sobre sua saúde e o seu conhecido temperamento forte é feita somente no final do livro. A cantora adotou o samba como uma profissão de fé, mas também teve que enfrentar, além do perverso ambiente da indústria da música, o machismo do gênero que escolheu para cantar. Luana diz no livro que este seria um dos motivos do comportamento imperativo da artista.