Rio ganha nova casa de shows: o Palácio da Música
Pocket-show de Áurea Martins e Cristóvão Bastos marca a reabertura de espaço no Flamengo
A música brasileira ganha novo fôlego no Flamengo com a reabertura do Palácio da Música, espaço que volta a funcionar nesta segunda-feira (5) com uma programação especial. A casa, que passou por um período de ajustes e renovação, retoma as atividades com dois pocket shows e mais de quinze participações especiais, reafirmando seu compromisso com a excelência artística e o acolhimento a músicos e público.
O palco principal agora leva o nome de Áurea Martins, madrinha da casa, que se apresenta na noite de reabertura ao lado do pianista Cristovão Bastos. A dupla, que construiu sólida trajetória de colaborações ao longo dos anos, é responsável por interpretações memoráveis de canções como "Neste Mesmo Lugar" e "O Que é Amar", além do álbum "Amizade", que celebra a afinidade musical entre os dois.
A escolha de Áurea como nome do palco não foi apenas um gesto simbólico. Frequentadora assídua do restaurante anexo ao Palácio da Música, ela mantém uma ligação afetiva com o espaço e com a família de Leonardo Fialho, atual gestor e sócio do empreendimento. Foi ele quem decidiu homenagear a artista ainda em 2024, quando uma placa com seu nome foi instalada sobre o palco. A cantora também protagonizou o show de inauguração da casa, em junho do mesmo ano.
Com mais de cinco décadas de carreira, Áurea Martins é uma das intérpretes mais respeitadas da música brasileira. Carioca, iniciou a trajetória como crooner de orquestras nos anos 1960 e destacou-se pela elegância vocal e apuro técnico. Seu repertório passeia por clássicos da MPB, do samba-canção e da bossa nova, com interpretações marcantes de compositores como Dori Caymmi, Paulinho da Viola e Ivan Lins. Reconhecida pelo canto sofisticado e emotivo, Áurea mantém presença ativa nos palcos cariocas e é considerada uma referência por artistas de diferentes gerações.
“Áurea representa tudo o que a gente acredita: talento, generosidade, história. Ter o nome dela no palco é um sinal do que queremos oferecer: música de verdade, feita com alma”, afirma Fialho.
Pianista, compositor e arranjador, Cristovão Bastos é um dos nomes mais admirados da música instrumental brasileira. Parceiro de Aldir Blanc e Paulinho da Viola, tem obras gravadas por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa e Milton Nascimento. Seu piano elegante e expressivo transita entre a música popular e a erudita, com forte influência do choro, do samba e da canção brasileira. Ao longo da carreira, foi premiado com o Prêmio da Música Brasileira e assinou trilhas para cinema e teatro. É também reconhecido pela atuação em projetos de camerata e por sua habilidade como acompanhante de grandes intérpretes.
A programação da noite de reabertura inclui ainda o pocket show do Adaury Mothé Trio, além de participações especiais de artistas que já passaram pela casa, entre eles Ana Costa, Carlos Malta, Eliana Printes, Elisa Queirós, Fernanda Santanna e Will Magalhães, Fhernanda Fernandes, Liz Rosa, Marcelo Martins, Maurício Einhorn, Nina Wirtti, Ninah Jo, Pedro Milman, Tacy, Thaís Motta e Yumi Park.
Com 70 lugares e projeto acústico ajustado para pequenos e médios formatos, o Palácio da Música se posiciona como alternativa para o público que busca ouvir jazz, bossa nova, MPB e música instrumental em um ambiente confortável e intimista. A faixa etária do público vai dos 25 aos 60+ anos, reunindo tanto quem já acompanha os artistas há décadas quanto uma geração mais jovem em busca de boa música ao vivo.
A curadoria da casa está a cargo da cantora Ninah Jo, que também participa da noite de reabertura. Ao lado do booker Fabiano Miszewski, ela é responsável pela montagem da agenda, que prevê entre 12 e 15 noites musicais por mês. A programação abre espaço fixo para música instrumental às segundas ou terças-feiras e para jam sessions na primeira terça de cada mês.
“O Palácio é uma casa construída com muito amor, por pessoas que amam e são envolvidas com a música. A intenção da casa é levar dignidade para o artista, com o maior conforto possível”, diz Ninah Jo.
O som é assinado por Rafael Prista, e o acesso à casa é facilitado pela proximidade com a Estação Largo do Machado do Metrô. Há ainda um estacionamento terceirizado nas imediações.
O sócio Leonardo Fialho, que também assume a gestão geral do espaço, diz que o projeto tem como prioridade o respeito ao artista e a criação de um ambiente acolhedor para o público. “Eu não quero saber o seu time, em quem você vota ou sua religião... Meu único interesse é oferecer música boa. Só quero que a música prevaleça, e as pessoas tenham um local agradável e de qualidade”, afirma.
Com a volta do Palácio da Música, o Flamengo ganha não apenas uma casa de shows, mas um ponto de encontro para quem valoriza a arte e quer ver os palcos cariocas pulsando novamente com a força da canção brasileira.
SERVIÇO
ÁUREA MARTINS E CRISTÓVÃO BASTOS
Palácio da Música (Rua Buarque de Macedo, 87 – Flamengo)
5/5, às 20h
Ingressos: R$ 50 (antecipado) e R$ 60 (na hora, mediante disponibilidade)