Marielle Presente!

Com colaboração dramatúrgica de Anielle Franco, irmã da ex-vereadora, peça mostra que a memória de Marielle ainda não foi em vão

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Espetáculo foi construído para apresentar, contextualizar e elucidar a importância do legado de Marielle no mundo político e social do carioca

Por Cláudia Chaves
Especial para o Correio da Manhã

Enquanto naquele longínquo 15 de março de 2018, Chico e milhares de pessoas soluçavam de emoção, tristeza, decepção, desalento, durante a cerimônia de sepultamento de Marielle Francisco da Silva, também conhecida como Marielle Franco, e de Anderson Gomes, colocava-se a pergunta: "Quem matou Marielle e Anderson" e ao mesmo tempo uma história necessária a ser contada.

Marielle Presente, que inicia sua temporada é o espetáculo construído para apresentar, contextualizar e elucidar a importância do legado ancestral e existência de Marielle, é obra concebida pela Confraria do Impossível, coletivo artístico Negro que intervém nas ruas e eventos culturais e políticos na cidade do Rio de Janeiro desde 2009. A idealização, texto e direção são de de André Lemos, produção de Jeff Fagundes e com colaboração dramatúrgica de Anielle Franco e Mônica Benício.

A Confraria do Impossível foi vencedora de dois Premio Prêmio Shell de teatro RJ, com o espetáculo "Esperança na Revolta'', na categoria de Melhor Direção(2019) — tendo o primeiro diretor negro a conquistar tal premiação —, e do Prêmio Shell de Teatro RJ na categoria Inovação (2020) por ser um quilombo cultural e abrigar grupos negros e periféricos.

Dentro da sua atuação estão a gestão e curadoria do Terreiro Contemporâneo, Centro Cultural Negro/ Quilombo Artístico, onde também funciona o Teatro Chica Xavier, primeiro espaço teatral negro independente da cidade com uma programação regular, além de sala de ensaio, espaços de convivência, biblioteca, galeria de arte e um bar.

Para contar a trajetória de Marielle, a equipe responsável pela obra entendeu a necessidade de orientar o olhar para um outro aspecto da história de Marielle: sua conexão e narrativa que se entrelaçam com tantas outras histórias de pessoas pretas no país, perpassam desde o êxodo familiar entre Paraíba/Nordeste e Rio de Janeiro/Sudeste e vão até os percalços vividos nos caminhos para e com a vida acadêmica, tudo isso para fortalecer novas referências, promover novas narrativas e questionamentos e reconstruir a imagem de jovens e adultos pretos pelo país e pelo mundo.

Assim explica André Lemos, pela opção realizada: "Apropriando essa narrativa a partir dos nossos pontos de vista. No lugar de humanizar essa mulher.Lugar de trazer humanização, ancestralidade e afastar um pouco desse mito. De trazer um pouco a essência da mulher negra, a essência dela enquanto mulher negra e a que que tá muito próximo de várias outras mulheres negras. Então acho que isso tá muito de ordem, muito importante. Então esse espetáculo ele envolve muitas coisas, né? Tanto politicamente, quanto socialmente, quanto no no combate ao racismo estrutural, ele está sendo muito importante.

"É uma alegria e uma honra muito grande fazer parte desse elenco e projeto por vários motivos! Primeiro porque é a possibilidade de levar para os palcos uma história que PRECISA ser contada. Uma história linda, potente e relevante de uma das mais importantes mulheres da nossa história política recente. Levar ao público uma parte dessa história que muita gente não conhece, sobre a origem, infância, família e o que fez de Marielle a força que ela se tornou. E por fim, continuar gritando por justiça.", conclui a atriz Verônica Bonfim, integrante do elenco."

Serviço

Teatro Firjan SESI CENTRO . - Avenida Graça Aranha,, 1, Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

DATA: De 25 de maio a 2 de junho

HORA: Quinta e sexta às 19h, sábado e domingo às 18h

Duração: 90 min

Classificação: 12 anos

Ingressos: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)