Um lugar ensolarado para gente sombria

Por POR olga mello

Uma mulher prefere se isolar de amigos e da família para não abandonar o fantasma de sua mãe, que vive em sua casa. A convivência com os mortos torna-se um dever cumprido até de forma prazerosa pela protagonista do primeiro dos doze contos da argentina Mariana Enriquez em "Um lugar ensolarado para gente sombria" (Intrínseca, R$ 79,90), uma delicada reunião de histórias góticas que não se furtam a comentar o passado sofrido e próximo de seu país. É uma Buenos Aires empobrecida que assoma nessas histórias cuja proposta está longe de assustar o leitor, mas buscar a reflexão sobre a contemporaneidade com um toque de realismo fantástico aprimorado pelo amadurecimento da autora.