O mestre nonagenário do sopro
Aos 93 anos, o gaitista Maurício Einhorn estreia o espetáculo 'O Sopro do Brasil' no palco do Blue Note Rio
Affonso Nunes
Há algo de desconcertante — no melhor sentido — em ver Maurício Einhorn entrar num palco em 2026 com a mesma naturalidade de quem fez isso pela primeira vez ainda adolescente, nos tempos da Rádio Tupi. Aos 93 anos, o gaitista carioca - uma lenda viva da música brasileira - é um músico capaz de transformar cada apresentação numa experiência singular. Nesta terça-feira (24), às 20h, ele estreia no Blue Note Rio o espetáculo "O Sopro do Brasil - Maurício Einhorn & MassaTrio", com participação especial do trombonista Rafael Rocha.
A trajetória de Einhorn se confunde com a própria história da música popular brasileira. Filho de gaitistas, ele ganhou seu primeiro instrumento aos cinco anos e já se apresentava em rádios antes mesmo de completar dez. Em 1947, estava na Rádio Tupi. Em 1949, sua estreia em estúdio. Nos anos 1950, mergulhou de cabeça no jazz, enquanto o Brasil fervilhava com o que logo se chamaria de bossa nova. Ele estava lá, em plena efervescência, assinando composições que viriam a se tornar clássicos do gênero: "Batida Diferente", "Estamos Aí" e "Tristeza de Nós Dois" são apenas algumas das obras que atravessaram décadas e continuam sendo executadas por músicos de todo o mundo.
No exterior, seu talento também encontrou eco. Einhorn se apresentou ao lado de nomes como Herbie Mann, Paquito D'Rivera, Cannonball Adderley, Sarah Vaughan e Toots Thielemans. Em 1979, estava no Montreux Jazz Festival, na Suíça, dividindo o palco com Nina Simone e David Sanborn. Ao longo dos anos, acompanhou em shows e gravações artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Tom Jobim, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Hermeto Pascoal e Baden Powell — um mapa afetivo que corresponde ao próprio DNA da MPB.
Para "O Sopro do Brasil", Einhorn se une ao MassaTrio, formado por Renato Massa na bateria, Jefferson Lescowich no baixo e Marcos Nimrichter ao piano e teclados, uma das formações mais consistentes da cena instrumental contemporânea. Rafael Rocha, considerado um dos principais trombonistas do Brasil e com passagens por Djavan, Ivan Lins, João Bosco e Hamilton de Holanda, completa o elenco como convidado especial. O repertório reúne composições autorais de Einhorn ao lado de releituras de Tom Jobim, George Gershwin, Cartola e Cole Porter, em arranjos que equilibram lirismo, swing e liberdade criativa.
SERVIÇO
MAURÍCIO EINHORN & MASSATRIO
Blue Note Rio (Av. Atlântica, 1910, Copacabana)
24/2, às 20h
Ingressos: R$ 120 e R$ 60 (meia)
