Uma exposição desconfortável
Exposição imersiva do Projeto Coral Vivo chega ao Rio com 150 m² de ciência, arte e urgência climática
Exposição imersiva do Projeto Coral Vivo chega ao Rio com 150 m² de ciência, arte e urgência climática
Antes mesmo de entrar, o visitante já é avisado: o que está prestes a ver não é ficção. Três telas exibem eventos extremos — enchentes, secas, queimadas — que já fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas ao redor do mundo. Alerta feito, a exposição "Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo" conduz o público por um percurso imersivo no qual arte e ciência caminham juntas para abrir nossas mentes sobre uma realidade nada confortável para so habitantes do planeta.
Idealizada pelo Projeto Coral Vivo — referência nacional em conservação costeira e marinha —, a mostra chega ao Rio pela primeira vez. Depois de atrair mais de 35 mil visitantes durante a COP30, em Belém, a exposição ocupa o Futuros - Arte e Tecnologia, no Flamengo, a partir desta sexta sextade 6 de março a 26 de abril de 2026, com entrada gratuita. Na sequência, segue em itinerância pela Bahia e São Paulo.
Com mais de 150 m² de instalações, a mostra reúne esculturas, painéis interativos, vídeos, experiências em realidade virtual e uma estufa viva com 500 mudas nativas. A direção de arte, expografia e comunicação visual são assinadas pelo Estúdio Bijari, e a curadoria foi desenvolvida em parceria com representantes do Ministério do Meio Ambiente, do INPE, do Instituto Oceanográfico da USP, da UERJ, da UFPA e do Instituto Meros do Brasil.
O percurso começa pelos fundamentos científicos das mudanças climáticas — efeito estufa, aquecimento global, eventos extremos —, avança pelos impactos concretos nos ecossistemas e nas populações mais vulneráveis, e termina apontando caminhos. Um mapa-múndi coberto por musgo vivo simboliza a resiliência do planeta. A estufa com mudas nativas convida à ação concreta. A narrativa, construída camada a camada, não poupa o visitante da dimensão da crise, mas tampouco o deixa sem saída.
O contexto científico que embasa a mostra é grave. O mais completo estudo já realizado sobre o branqueamento de corais no Brasil, publicado na revista Coral Reefs e coordenado pelo Projeto Coral Vivo em parceria com 20 instituições nacionais e internacionais, revelou que, em 2024, até 96% dos corais em Maragogi (AL) apresentaram branqueamento — e 88% morreram. No total, 36% dos corais avaliados ao longo de mais de quatro mil quilômetros do litoral brasileiro apresentaram algum grau de branqueamento.
"O Rio vem sentindo cada vez mais forte os efeitos das mudanças climáticas, como ondas de calor e grandes volumes de chuva em um curto período, resultando em máximas históricas de temperatura e inundações. Entender que os ecossistemas estão todos conectados e que somos parte dessa equação é uma porta de entrada para estimular a conservação ambiental", destaca Para Iamê de Sá, gerente do Projeto Coral Vivo no Rio de Janeiro.
SERVIÇO
MUDAMOS O CLIMA, AGORA O CLIMA MUDA TUDO
Futuros - Arte e Tecnologia (Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo)
De 6/3 a 26/4, de quarta a domingo (11h às 20h)
Entrada franca
