Entre o humano e o animal

'Cavalas', de Alana Falcão e Ana Brandão, mescla horror, mitologia popular e feminilidade

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O processo craitivo que deu origem ao espetáculo começou no período pós-pandemia, durante estudos de movimento

Em cena, duas mulheres alternam entre os estados de humano e cavala, num jogo que embaralha identificação, disputa, cuidado e espelhamento. "Cavalas", espetáculo de dança que Alana Falcão e Ana Brandão, está em cartaz no Sesc Copacabana.

A obra nasce de uma pesquisa de dois anos que investiga as fronteiras entre o humano e o animal a partir da relação entre duas mulheres. Em cena, as bailarinas e criadoras alternam posições — ora mulher, ora cavala — num jogo que transita entre terror e beleza, delicadeza e tensão, liberdade e disciplina. A coreografia constrói uma atmosfera ao mesmo tempo física, mítica e inquietante, que se alimenta de paradoxos.

As artistas se conheceram há cerca de dez anos, quando Ana Brandão, paulista, se mudou para Salvador e iniciou uma trajetória de colaboração com a parceira soteropolitana.

O processo que deu origem ao espetáculo começou no período pós-pandemia, durante estudos de movimento baseados na pesquisa Fighting Monkeys, criada pela artista grega Linda Kapetanea e desenvolvida a partir de jogos e tarefas de improvisação.

"Nesses estudos, acabamos percebendo que havia algo sendo criado ali. E fomos adentrando em histórias de um feminismo que flerta com o gênero do terror, em encontros entre macabros e encantadores", relembra Ana Brandão.

A equipe criativa reúne ainda Lais Machado (dramaturgia), Diego Gonçalves (luz), Bernardo de Oliveira (cenografia), Marlan Cotrim (figurino) e Paulo Pitta (som e trilha sonora original).

Entre as referências que atravessam o espetáculo, estão o conto "As coisas que perdemos no fogo", da escritora argentina Mariana Enríquez, a obra "Xifópagas capilares entre nós", do artista visual Tunga, além de mitologias populares brasileiras marcadas por transformações de mulheres em bestas. O cabelo surge como elemento simbólico que conecta essas imagens — presente tanto nas crinas de cavalos quanto em narrativas do horror feminino e nas figuras híbridas construídas em cena.

"Todas essas ideias de horror e mulheridade nos acompanham desde o início do processo. O cabelo e o cavalo se encontraram e ficamos mexendo nessas interseções até o nascimento de 'Cavalas'", explica Alana Falcão.

Após a estreia no Junta Festival, no Piauí, em outubro de 2023, o espetáculo passou por diferentes contextos artísticos em estados como São Paulo, Pernambuco, Ceará, Paraná, Pará e Bahia. Em 2025, o projeto realizou uma circulação pelo Norte do Brasil a partir do fomento da Bolsa Funarte de Dança Klauss Vianna 2023, experiência que consolidou o desejo das artistas de ampliar as trocas criativas com o eixo Norte-Nordeste.

SERVIÇO

CAVALAS

Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160)

Até 5/7, às quintas e sextas (19h), sábados e domingos (17h)*

Ingressos: R$ 30, R$ 27 (convênios); R$ 23 (convênio empresário); R$ 21 (sócio Sesc); R$ 15 (meia) e grátis (PCG)

*Sessão com audiodescrição em 4/7

OFICINA DOSES CAVALARES

30/6, das 14h às 18h, com inscrição prévia pelo link https://l1nq.com/odu45xv