Cinema autoral em marcha para o Marrocos
Em meio às celebrações dos 20 anos de “Piaf – Um Hino Ao Amor” (2007) que lhe rendeu o Oscar, a atriz francesa Marion Cotillard será a presidente do júri da 23ª edição do Festival Internacional de Cinema de Marrakech, que acontece de 20 a 28 de novembro, no Marrocos. A organização anunciou nesta segunda-feira (2) uma programação de 76 filmes de 39 países, distribuídos por diferentes mostras. Um dos destaques da seleção é a presença do brasileiro Fellipe Barbosa, que apresenta "Leila e a Noite" ("Leila et la nuit"), produção inspirada na vida da fotógrafa marroquina Leila Alaoui. O longa, protagonizado por Roschdy Zem e Marina Foïs, terá sua estreia mundial na mostra de gala.
A competição oficial reúne 14 primeiras e segundas longas-metragens, que concorrem à Étoile d'Or, principal prêmio do festival. A seleção aposta em realizadores de diferentes origens e em narrativas que atravessam conflitos políticos, crises humanitárias, relações familiares e transformações sociais. Três títulos terão suas primeiras exibições mundiais: "Alkebulan", do marroquino Yassine Marco Marroccu; "Ondas de Silêncio" ("Waves of Silence"), do iraniano-norueguês Farzad Samsami; e "Sombras do Cairo" ("Cairo Shadows"), dirigido pelos irmãos Rani e Salem Massalha.
Os 14 filmes da competição oficial:
•"Alkebulan" — Yassine Marco Marroccu — Marrocos, Hungria e Catar.
•"Ben’imana" — Marie-Clémentine Dusabejambo — Ruanda, Gabão, França e Noruega.
•"Sombras do Cairo" ("Cairo Shadows") — Rani Massalha e Salem Massalha — França, Bélgica, Tunísia e Egito.
•"Crônicas dos Anos de Cerco" ("Chronicles from the Siege") — Abdallah Al-Khatib — Argélia, França e Palestina.
•"Garoto do Congo" ("Congo Boy") — Rafiki Fariala — República Centro-Africana, França, República Democrática do Congo e Itália.
•"Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Phaedra" ("A Day in the Life of Jo: Chapter Phaedra") — Jacqueline Lentzou — Grécia, Alemanha e França.
•"Eklipse" — Manuel Wetscher — Áustria e Itália.
•"Fúrias" ("Furies") — Rami Kodeih — Líbano e Brasil.
•"A Casa do Vento" ("House of the Wind") — Auguste Bernard Kouemo Yanghu — Camarões, França, Bélgica, Benim, Arábia Saudita e Catar.
•"Marie Madeleine" — Gessica Généus — França, Haiti, Bélgica, Luxemburgo e Canadá.
•"Nossa Porção de Areia" ("Our Share of Sand") — Shalini Adnani — Reino Unido, Índia e Grécia.
•"Garotas Tristes" ("Sad Girlz") — Fernanda Tovar — México, Espanha e França.
•"Ondas de Silêncio" ("Waves of Silence") — Farzad Samsami — Noruega, Marrocos e Suécia.
•"O Mundo de Antes" ("The World Before") — Yoon Dan-bi — Coreia do Sul, Japão e França.
A abertura do festival será com "A Grande Estreia" ("The Debut"), comédia dirigida por Jesse Eisenberg e estrelada por Julianne Moore, que concorreu à Concha de Ouro de San Sebastián, em setembro. A atriz interpreta uma dona de casa tímida que descobre uma paixão avassaladora pelo teatro amador. A mostra de gala concentra alguns dos títulos internacionais mais aguardados da temporada. Além do filme de Fellipe Barbosa, terá "Suas Criaturas Mais Frágeis" ("His Weakest Creatures"), de Omar Hilal, outra estreia mundial, que reúne pela primeira vez os astros egípcios Ahmed Helmy e Hend Sabry. John Turturro apresenta "O Único Batedor de Carteiras Vivo em Nova York" ("The Only Living Pickpocket in New York"), de Noah Segan, enquanto James Gray retorna ao festival com "Paper Tiger", thriller com elementos de drama familiar. Luca Guadagnino participa com "Artificial", sobre a ascensão de Sam Altman, fundador da OpenAI, interpretado por Andrew Garfield. Também está na seleção "Morangos" ("Strawberries"), de Laïla Marrakchi, escolhido pelo Marrocos para representar o país na corrida ao Oscar.
A mostra Horizontes reúne 21 produções e aposta na diversidade do cinema contemporâneo, com trabalhos de realizadores consagrados como Ryusuke Hamaguchi, Cristian Mungiu, Pawel Pawlikowski, Hirokazu Kore-eda e Nanni Moretti. O programa também abre espaço para produções árabes e africanas, incluindo "Cidadão Osama" ("Citizen Osama"), documentário de Ahmed Hassouna sobre Gaza, "Dao", de Alain Gomis, e "Clarissa", dos irmãos Arie Esiri e Chuko Esiri. Entre os demais títulos estão "A Saída Segura" ("Safe Exit"), do egípcio Mohammed Hammad, e "A Estação" ("The Station"), da diretora Sara Ishaq, história distópica feminista ambientada no Iêmen.
O 11º Continente apresenta 13 filmes dedicados a experiências cinematográficas livres e inovadoras, com ficções de Danielle Arbid, Sompot Chidgasornpongse e Radu Jude, além dos documentários "Edward Said: Entre Mundos" ("Edward Said: Between Worlds") e "Bedeau, Campo de Trânsito" ("Bedeau, Transit Camp"), este último em estreia mundial. A mostra também recupera obras importantes da cinematografia internacional, como "Nahla", de Farouk Beloufa, e "Tilaï", do cineasta burquinense Idrissa Ouedraogo, em versão restaurada.
O Panorama Marroquino reúne seis produções de ficção e documentário, entre elas "Bardi", de Tala Hadid, que abre a mostra, e "Capuzes" ("Hoods"), de Mohamed Mouftakir, uma das estreias mundiais da programação. Ao todo, 11 filmes marroquinos aparecem nas diferentes seções, além de três produções rodadas no país. A programação para crianças, adolescentes e famílias reúne 11 sessões, com destaque para "A Garota nas Nuvens" ("Girl in the Clouds"), animação apresentada por Jamel Debbouze, e "Tudo Menos Minha Mãe" ("All But My Mother"), de Mohcine Besri, também em estreia mundial.
No balanço geral, a 23ª edição terá dez estreias mundiais, 12 filmes apoiados pelos Atlas Workshops, programa de desenvolvimento de talentos e projetos mantido pelo festival, e 11 produções que representam seus países na disputa por uma indicação ao Oscar. As exibições serão realizadas no Palais des Congrès, no Cinéma Le Colisée e no Musée Yves Saint Laurent Marrakech, entre 20 e 28 de novembro.