John Turturro põe as bilheterias dos EUA no bolso
Uma das apostas mais fortes para o Oscar 2027, “O Último Batedor De Carteiras” (“The Only Living Pickpocket in New York”), de Noah Segan (EUA) confirma sua potência para a temporada de premiações que antecedem a entrega da láurea anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ao conquistar um lugar na lista dos dez filmes mais vistos nos EUA do recém-encerrado último fim de semana. Faturou pouco (US$ 1,9 milhões) em sua chegada, mas deixou muto concorrente forte para trás. Seu principal chamariz é John Turturro, que atua num estado de graça neste thriller charmoso.
Aos 69 anos, Turturro tem um Emmy, conquistado por seu trabalho na TV, na série “Monk”, e ganhou o Caméra d’Or de Cannes por seu longa de estreia como diretor, “Mac”, em 1992.
“Eu só vislumbro uma única constante na vida da gente: a certeza de que ela muda”, declarou Turturro à Berlinale, onde “O Último Batedor de Carteiras” foi exibido fora de concurso, vindo de uma elogiada passagem por Sundance. “O cinema independente que se fazia nos anos 1960, a partir de mestres como John Cassavetes, é diferente do que se faz hoje, sobretudo nos EUA. Mas a arte, perante todas as transformações deste mundo atual, encontra sempre o seu caminho por meio da liberdade”.
Sob a direção de Segan, o eterno Barton Fink dos Irmãos Coen, consagrado nos anos 1990 por sua habilidade crítica no retrato das idiossincrasias americanas, vive um ladrão profissional que “mete” a mochila de um bad boy (Will Price), sem saber que se trata de um mafioso. Entre os pertences que o gatuno “bateu”, há um chip que conduz seu portador a segredos (leia-se $) do crime organizado. Dali pra diante, caímos numa mistura do Scorsese de “After Hours” (1985) com os Irmãos Safdie de “Joias Brutas” (2019) que se desenha como um conto moral sobre o quão dura pode ser a vida da malandragem e também como uma carta de amor pra Nova York. Giancarlo Esposito, Steve Buscemi, Karina Arroyave e uma impecável Jamie Lee Curtis integram o elenco deste poema crepuscular.
“Eu conheci facetas muitos diferentes de Nova York, porque existem diferentes mundos dentro daquela cidade tão famosa, que tem empurrado muitas pessoas para fora, na relação com quem circula por suas ruas”, disse Turturro ao Correio da Manhã na Berlinale. “O ladrão que eu interpreto está ligado a um debate sobre luta de classes, um tema recorrente nas minhas escolhas. Gosto de interpretar pessoas que desempenham trabalhos manuais”.