Negócio(s) da China
'Era Uma Vez No Oriente Médio', que já faturou US$ 356 milhões, traz para a reta final da Mostra a excelência do cinema comercial chinês, que tem disputado espaço com Hollywood
Fenômenos de bilheteria também têm espaço em eventos que celebram a invenção como é caso da Mostra de São Paulo, embora seu interesse por máquinas de lucrar não corresponda a critérios capitalistas hollywoodianos, o que levou à escolha do chinês "Era Uma Vez No Oriente Médio" ("Huan ying lai Long can guan"). Com sessão nesta quinta, às 19h30, no Cine Satyros Bijou, neste dia de encerramento da maratona paulistana, esta produção estrelada por Shen Teng já faturou US$ 356 milhões só em solo asiático. É a 14ª maior bilheteria de 2026. Estreou na esteira de outro arrasa-quarteirão da China, "Pegasus 3", aventura automobilística que arrecadou US$ 656 milhões.
Em "Era Uma Vez no Oriente Médio", com direção Wen Muye, o chef Xu Fu busca o recomeço profissional e, para isso, viaja para terras árabes para sustentar a família e pagar suas dívidas. Ao lado do gerente Ma Junsheng, ele reergue o Restaurante Dragão e o transforma em um negócio bem-sucedido. Mas, quando a guerra toma conta da cidade, o sucesso conquistado com tanto esforço é destruído e o restaurante se torna um refúgio para aqueles que se viram presos em meio ao conflito. Com o perigo cada vez mais próximo, Xu Fu precisa arriscar tudo para proteger sua nova comunidade e manter acesa uma pequena chama de esperança em meio à devastação.
Desde a pandemia, a China passou a ser a pátria número dois, ano após ano, em quantidade de blockbusters anuais, competindo com os EUA. O maior acerto daquele país em cifras é "Ne Zha 2 - O Renascer da Alma", uma animação de 2025, que faturou US$ 2,2 bilhões.
Na lista dos maiores faturamentos de janeiro até agora, a China se fez notar com "Dear You", de Lan Hongchun, um romance dramático que alcançou US$ 291 milhões exclusivamente em mercados internacionais. Conta com uma narrativa sentimental centrada em reencontros e perdas familiares, apostando numa combinação de melodrama e apuro visual que dialoga com o grande público asiático. Outro destaque à chinesa "Blades of the Guardians", adaptação feito por Woo-Ping Yuen da popular HQ de artes marciais criada por Xu Xianzhe. Com US$ 215,3 milhões arrecadados, o longa praticamente ignorou o circuito americano, onde faturou menos de 1% de sua receita total. Apostando numa sofisticada combinação de ação, fantasia e estética inspirada na tradição wuxia, a produção consolidou-se como um dos maiores êxitos da animação chinesa recente, mostrando que o gênero continua em expansão muito além dos estúdios ocidentais.
Outro título chinês a superar a marca dos US$ 100 milhões foi "Scare Out", do medalhão autoral Zhang Yimou, que soma US$ 200,3 milhões. Misturando horror sobrenatural e suspense psicológico, o longa encontrou enorme receptividade entre os espectadores asiáticos, explorando elementos do folclore local e uma atmosfera de terror bastante distinta da tradição hollywoodiana. Sem presença significativa no circuito americano, tornou-se mais uma demonstração de que o gênero do horror também pode gerar blockbusters inteiramente produzidos para o mercado oriental.