Uma surpresa dos diabos
Com orçamento modesto, 'Cronovisor' acompanha as pesquisas da filósofa Béatrice Courte
Inspirado por fatos (supostamente) reais, "Cronovisor" é uma das grandes surpresas da Mostra de São Paulo de 2026 — a maior, sem comparação, quando se pensa em emissários das veredas do terror.
Dirigido por Jack Auen e Kevin Walker, o filme transforma a suposta criação de uma máquina capaz de fotografar o passado em um pesadelo de investigação, paranoia e delírio religioso.
Com orçamento de apenas US$ 55 mil, o longa acompanha as pesquisas de Béatrice Courte, filósofa ligada à Universidade Columbia, cuja investigação sobre o padre beneditino Pellegrino Ernetti e seu alegado cronovisor, que se converte numa obsessão que desafia os limites entre ciência, ocultismo e fé.
Entre documentos históricos, imagens granuladas em 16 mm e uma atmosfera claustrofóbica, a produção americana evoca "O Último Portal" (1999), de Roman Polanski, e demonstra como a imaginação pode ser mais perturbadora do que qualquer aparição sobrenatural.
Sua forma de narrar utiliza palavras como elementos visuais, destacando parágrafos de livros e colunas de jornais. Exibido no Festival de Roterdã, o longa terá mais sessão em SP nesta segunda (26), às 12h, no Cultura Artística. (R.F.)