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Anita Barbosa põe a estética da 'Sessão da Tarde' em prol do riso

Por Rodrigo Fonseca

Anita Barbosa assina a direção da terceira parte da franquia "Se Eu Fosse Você", que chega ao circuito no dia 8

Num segundo semestre de reconciliação do cinema brasileiro com as grandes bilheterias, “Se Eu Fosse Você 3” chega ao Festival do Rio, antes de seu lançamento oficial (em 8/10), carregando a responsabilidade de ressuscitar uma das franquias mais populares da produção nacional deste século. Os dois primeiros filmes, lançados em 2006 e 2009, venderam juntos perto de 10 milhões de ingressos, com 3,6 milhões de espectadores no original e 6,1 milhões na continuação. Agora, depois de uma pré-estreia na noite de sexta-feira, a terceira parte ganha sessão neste sábado (3), às 21h15, no Reserva Cultural.
Sob direção de Anita Barbosa, a nova comédia mantém Gloria Pires e Tony Ramos como Helena e Cláudio, mas desloca o epicentro das confusões para a geração seguinte. Bia (Cleo Pires), filha do casal, agora é uma chef casada com Aquiles (Rafael Infante), guia de um parque turístico. Quando os dois trocam de consciência, descobrem que o raio pode, sim, cair mais de uma vez no mesmo lugar.
Com roteiro de Leandro Soares, “Se Eu Fosse Você 3” aposta deliberadamente na memória afetiva construída pelos longas dirigidos por Daniel Filho. Anita não foge dessa herança. Ao contrário: assume que seu desafio era reencontrar o conforto, o humor e a capacidade de comunicação popular dos anteriores. Em conversa com o Correio da Manhã, ela define sua ambição por uma expressão que atravessa gerações de brasileiros: fazer uma boa “Sessão da Tarde”.

Você assume “Se Eu Fosse Você” quase duas décadas depois do primeiro filme e com uma franquia que levou perto de 10 milhões de pessoas aos cinemas. Qual foi a maior responsabilidade que você encarou?
ANITA BARBOSA: Acho que a minha maior responsabilidade, e não só minha, mas também do elenco, porque trabalhei o tempo inteiro junto com eles, era entregar aquilo que o público espera. Quando você vem de uma franquia amada, o público já chega com uma expectativa. O que buscamos entregar foi essa nostalgia, seguindo a mesma métrica dos filmes anteriores e dando ao público esse conforto, essa memória.

Como se recupera essa memória sem simplesmente repetir os filmes anteriores?
A gente trouxe isso através das músicas, através da maneira como a história é contada. Buscamos fazer uma história que percorresse caminhos parecidos com os anteriores. Acho que esse foi o maior desafio.

Você já vem construindo uma trajetória própria como diretora, mas aqui encontra Tony Ramos e Gloria Pires, dois atores fortemente identificados com a franquia. O que conseguiu extrair deles?
Pude aproveitar muito o passado, as experiências anteriores. Trouxemos dos outros filmes aquela memória que tínhamos dos ensaios, da forma de atuação, dos detalhes. Era importante entender que o humor de “Se Eu Fosse Você” está justamente nos detalhes dos personagens.

E existe ainda o peso de dirigir dois atores com a dimensão de Tony e Gloria... Que responsabilidade existe nessa troca?
Claro. Não é todo dia que a gente está dirigindo Tony Ramos e Gloria Pires. Sou muito fã dos dois. Estou há 20 anos com eles e, até hoje, a minha perna treme.


Existe uma memória afetiva brasileira muito ligada à “Sessão da Tarde”: filmes que aquecem, divertem e podem ser vistos por toda a família. “Se Eu Fosse Você 3” é uma “Sessão da Tarde”? Se, sim, o que significa, para você, fazer uma boa “Sessão da Tarde”?
É conseguir falar, ou pelo menos tentar falar, com uma diversidade de público. A “Sessão da Tarde” não é uma coisa só para crianças ou só para quem está em casa. É para o público em geral. Tem essa coisa da diversão, de esquecer os problemas e assistir a um filminho gostoso. Não é aquela “Sessão da Tarde” de dia de semana. É aquela “Sessão da Tarde” de sábado ou domingo à tarde, sabe