Mineiramente onipresente...até na corrida pela Concha de Ouro

De Contagem para o mundo, a Filmes de Plástico entra forte na briga de melhor filme em San Sebastián

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

'Vicentina Pede Desculpas' faz o circuito Minas x TIFF x San Sebastián, antes de competir no Festival do Rio

De Contagem para o mundo, a produtora Filmes de Plástico chega nesta quinta-feira (24) a um dos pontos mais altos de seus 17 anos de atividade: "Vicentina Pede Desculpas", de Gabriel Martins, será exibido na competição oficial do 74º Festival de San Sebastián. Está na briga pela Concha de Ouro, com Rejane Faria à frente de um elenco que inclui Maíra Azevedo, Renato Novaes, Grace Passô e Fernanda Vianna.

O desembarque em Donostia acontece poucos dias depois de outra consagração da usina criativa fundada em Contagem por Gabriel, André Novais Oliveira, Maurilio Martins e Thiago Macêdo Correia: no sábado, "Se Eu Fosse Vivo... Vivia", de André, foi eleito Melhor Longa pelo júri oficial do 59º Festival de Brasília, levando ainda os Candangos de Melhor Roteiro, para o cineasta, e Melhor Figurino, para Diana Moreira, além de uma menção honrosa para Conceição Evaristo, em sua estreia como atriz, e Norberto Novais Oliveira.

É uma dobradinha que reafirma o alcance internacional de uma produtora criada em 2009, inicialmente com filmes feitos entre amigos e familiares nas quebradas das Gerias, e hoje transformada numa das grifes autorais mais reconhecíveis (e até copiadas) do audiovisual sul-americano, responsável por títulos como "Ela Volta na Quinta", "Temporada", "Marte Um", "O Dia Que Te Conheci" e o recente "O Último Episódio". Se "Temporada" já havia dado a André o Candango de Melhor Filme em 2018, depois de passar por Locarno, e "Marte Um" ampliou a circulação planetária da marca, a trajetória da Filmes de Plástico vem sendo reconhecida também por retrospectivas: em 2019, a CineBH celebrou seus dez anos com o Troféu Horizonte; em 2021, a Mostra de Cinema de Pitangui dedicou-lhe uma homenagem; e, em 2024, o CineSesc, em São Paulo, reuniu curtas e longas numa ampla retrospectiva pelos 15 anos da produtora. Agora, com um filme recém-saído vencedor de Brasília e outro tentando colocar uma Concha de Ouro na estante, a companhia mineira confirma que aquela Contagem quase ausente dos mapas tradicionais do cinema brasileiro virou endereço de exportação de imaginário.