O Brasil recontado
Animação 2D 'Amadeo e o Hipotético Mundo Novo' faz da fotografia uma ferramenta de resistência
"Amadeo e o Hipotético Mundo Novo" leva para a animação uma história ambientada no Brasil escravocrata do século XIX e parte de uma hipótese: e se um jovem africano tivesse inventado a câmera fotográfica antes dos europeus? Dirigido e roteirizado por Brenda Lígia e Edu Felistoque, o longa acompanha Amadeo, personagem que usa sua criação para registrar a realidade de seu tempo e contribuir para a luta pela libertação de pessoas escravizadas. A narrativa também inclui um romance com a filha de um barão.
A animação 2D combina aventura, humor, romance e crítica histórica. A fotografia, colocada no centro da trama, funciona como instrumento para observar e registrar uma sociedade marcada pela escravidão. A partir de uma invenção criada por um personagem africano, o filme coloca um protagonista negro no centro de uma narrativa de ficção científica histórica.
A história ganha espaço no cinema brasileiro depois da estreia mundial no Shanghai International Film Festival, na China. No Brasil, o filme integra a programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dentro da Mostra Brasília - Troféu Câmara Legislativa. A sessão contou com a participação da diretora Brenda Lígia e da atriz Naruna Costa, responsável pela voz original de Linda. O longa chega aos cinemas em novembro, pela Downtown Filmes, no mês da Consciência Negra.
O projeto marca a estreia de Brenda Lígia na direção de um longa de animação. A artista tem trajetória no cinema, na televisão e no teatro, com participação em 17 longas-metragens, 12 séries de TV e 10 espetáculos teatrais. Também acumula trabalhos como atriz e diretora. Ao lado de Edu Felistoque, ela conduz uma história que usa a animação para abordar escravidão, racismo, protagonismo negro e produção de conhecimento.
O romance vivido por Amadeo acrescenta outra camada à narrativa. O personagem se apaixona pela filha de um poderoso barão, estabelecendo uma relação atravessada pelas diferenças sociais e pela estrutura escravocrata do período. A história pessoal do protagonista se desenvolve, assim, em paralelo ao uso da invenção e à busca por liberdade.
O elenco de vozes reúne Sérgio Menezes, Edmilson Filho, Naruna Costa, Paolla Oliveira, Antônio Fagundes, Mateus Solano, Tiago Abravanel, Adriana Lessa, Igor Cotrim, Dexter - o Oitavo Anjo, Léa Garcia e a própria Brenda Lígia, entre outros nomes. Naruna Costa dá voz a Linda, personagem ligada ao núcleo afetivo da história.
A direção de arte e de animação é de Everton Amorim, artista pernambucano residente em Caruaru, no interior de Pernambuco. Ele é sócio da Sagui Studio e CEO da Refúgio Onírico. A trilha sonora original é assinada por Guilherme Picolo, músico, produtor executivo na DreamBox e compositor de trilhas para cinema. Entre os trabalhos anteriores estão "Flops - Agentes Nada Secretos", "Crackland", "Toro", "Todos Carnaval tem Seu Fim" e "Amado".
A produção também tem ligação com o audiovisual do Distrito Federal. O longa é produzido pela Felistoque Cinema, administrada por Denise Castelhano e Edu Felistoque, em coprodução com Sol de Barros, Refúgio Onírico, Sagui Studio, Assum Filmes, Martinelli Filmes, Guarnicê Produções e Dream Box. Felistoque Cinema e Sol de Barros Filmes são empresas sediadas em Brasília e participam de projetos voltados ao desenvolvimento do polo audiovisual da cidade.
O filme conta com patrocínio do BNDES e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC-DF). A realização é do Governo do Distrito Federal, por meio da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Com a chegada ao Festival de Brasília e o lançamento comercial previsto para novembro, "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo" leva ao público uma narrativa que transforma uma invenção em ponto de partida para discutir memória, representação e os lugares ocupados por pessoas negras na construção da história.