Inffinito se escreve com dois efes: 'filmar' e 'ficar'

Grife cinematográfica celebra 30 anos de seu circuito de festivais de filmes brasileiros no exterior, tendo frentes ainda na produção e na exibição digital online, com o Inffinito.Plus

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Rodrigo Fonseca

Especial para o Correio da Manhã

Três décadas atrás, a palavra Inffinito - grafada com dois efes mas ainda recheada pelo conceito de expansão no alcance - passou a circular a Terra em forma de festivais de cinema, tornando-se ainda uma usina de produção (também de narrativas fílmicas), com Cláudia Dutra, Adriana L. Dutra e Viviane B. Spinelli no comando. Um dos polos inaugurais de ação foi Miami, numa luta para o audiovisual brasileiro se espalhar para Flórida, nos EUA, que, até sábado, serve de sede para mais uma edição da maratona de curtas e longas-metragens idealizada por essas três operárias da expressão cinematográfica.

A missão delas é criar pontes entre filmes nacionais e plateias estrangeiras. Seu circuito já passou por Nova York, Londres, Vancouver, Roma, Milão, Madri, Barcelona, Montevidéu, Buenos Aires, Bogotá e Xangai, entre outras cidades. Fizeram cerca de 110 edições de suas mostras, onde foram exibidos mais de 3 mil filmes. É uma forma cosmopolita de expandir o Brasil planeta adentro, com eventos competitivos que coroaram performances antológicas.

Em 2026, cerca de 70 produções integram a programação do 30º Inffinito Brazilian Film Festival Miami, que ocupa diferentes endereços daquela cidade até o dia 12. A celebração ganha o rosto de Glória Pires, homenageada desta edição, e inclui premières de títulos ainda inéditos no Brasil, entre eles "Sedução", de Zelito Viana e seu filho, Marcos Palmeira; "Funk", de Aly Muritiba (sensação de Tribeca); e "Se Eu Fosse Você 3", de Anita Barbosa e Daniel Filho, que promete alcançar uma bilheteria colossal.

"A Inffinito celebra três décadas de atuação como a mais longeva e influente plataforma de difusão do audiovisual brasileiro no exterior", explica Viviane. "Desde 1997, o festival criado por nós construiu uma trajetória pioneira ao apresentar, em Miami e depois em outras cidades, a diversidade estética e temática da produção nacional, revelando talentos, fortalecendo pontes internacionais e consolidando um circuito permanente de exibição, formação e debate".

A programação competitiva deste ano ajuda a dimensionar a variedade da produção que a Inffinito pretende apresentar em Miami. Lá estão o sucesso popular "Velhos Bandidos", de Claudio Torres, e o vencedor de Gramado em 2025, o thriller "Cinco Tipos de Medo", de Bruno Bini. Encerrada a programação presencial, a plataforma Inffinito.Plus vai disponibilizar de 13 a 30 de setembro, globalmente, 40 produções divididas em três seções: Homenagem a Glória Pires (com o concorrente ao Oscar "O Quatrilho"), Cinebiografia (com biopics documentais tipo "Mestre Zu", de Zelito Vianna) e 30 Anos, que funciona como uma arqueologia da própria produtora (onde entram pérolas da Retomada como "Pequeno Dicionário Amoroso", de Sandra Werneck, e "Como Ser Solteiro", de Rosane Svartman).

"Quando a pandemia estourou, estávamos pré-produzindo o 26º Inffinito Brazilian Film Festival e fomos paralisadas pela realidade", lembra Cláudia Dutra. "Já estávamos conversando sobre a possibilidade de criar uma plataforma de streaming com conteúdo 100% brasileiro, uma vez que tínhamos exibidos mais de 3 mil filmes ao longo do Circuito Inffinito de Festivais. Era uma oportunidade de tirarmos do baú esse sonho. Dar visibilidade mundial ao conteúdo brasileiro. Foi assim que nasceu a Inffinito.Plus, uma plataforma de conteúdo exclusivamente brasileiro que realiza mostras temáticas, festivais e mostras homenagens. Desde a sua criação já exibimos mais de 2mil filmes".

No eixo da produção de conteúdo inédito, Adriana L. Dutra ataca na direção.

"A Inffinito começou na produção audiovisual com 'Fumando Espero', um filme que dirigi e que nasceu da minha curiosidade para investigar algo tão presente em minha vida. A reboque do 'Fumando' vieram 'Quanto Tempo o Tempo Tem' e 'Sociedade do Medo', parte final da 'Trilogia da Catarse', onde investigo questões pessoais que são temas universais. Esse foi o pontapé inicial e, a partir daí, não paramos mais de produzir", orgulha-se Adriana. "Hoje são 9 séries e 5 longas. Estamos na pós produção do nosso 1º longa de ficção, e minha estreia como diretora de ficção, 'I Love Cambuquira', uma comédia romântica com Lindsay Paulino, Rodrigo Pandolfo e Karine Telles, que faz uma celebração a todas as formas de amor. Também estreia esse ano, na Universal , o 'Na Barraca em Busca do Amor', o 1º reality lésbico da América Latina. Ficou incrível! E temos muitos projetos desenvolvidos prontos pra serem comercializados. A Inffinito é um hub criativo".

Em suas três décadas de muito trabalho, a Inffinito é ainda responsável pela realização de eventos culturais no Brasil como o Cine Pedal Brasil, Cine Verão do Rio, Cinema da Gente, Verão do Rio, Conexão Samba, Redecard Conexão Brasil, B-a-bá do Cinema Nacional e Projeto Ecocine & Expo Lamsa Arte de Comunidade.