'Uma Batalha Após A Outra' é eleito 'O Filme do Ano' pela Federação Mundial da Crítica
A febre em torno de “Uma Batalha Após A Outra” (“One Battle After Another”) vai ganhar um novo pico no próximo dia 18, na Espanha, quando o Festival de San Sebastián abrir sua 74ª edição entregando a Paul Thomas Anderson o Grand Prix FIPRESCI de melhor filme do ano. É a quarta vez que o cineasta americano conquista a láurea concedida pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci), numa votação que mobilizou 591 jornalistas e críticos de 69 países. A produção estrelada por Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall e Teyana Taylor foi escolhida entre todos os longas lançados desde 1º de julho de 2025. Ano passado, o ganhador foi "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles.
Fundada em 1925 e recém-chegada ao seu centenário, a FIPRESCI é a mais antiga associação internacional de profissionais da crítica e do jornalismo cinematográfico. Desde a criação de seu Grand Prix, em 1999, sua lista de laureados reuniu realizadores como Jean-Luc Godard, Pedro Almodóvar, Michael Haneke, Terrence Malick, Aki Kaurismäki, Alfonso Cuarón, Chloé Zhao, Ryûsuke Hamaguchi e Cristian Mungiu. Paul Thomas Anderson já havia vencido com “Magnólia” (1999), “Sangue Negro” (“There Will Be Blood”, 2007) e “Trama Fantasma” (“Phantom Thread”, 2018). A consagração de “Sangue Negro”, aliás, levou o realizador ao palco do Kursaal, em San Sebastián, em 2008.
Com orçamento estimado em cerca de US$ 170 milhões, “Uma Batalha Após A Outra” tem sido “O” ganhador de todas as competições por onde passa por ser, entre muitas coisas, um tratado antitrumpista, uma reação do cinema dos EUA a um líder que opera na chave do ódio e fomenta conflitos a fim de alimentar a necessidade de “pão e circo” de um povo (mal) educado por Bushes e Reagan. A percepção de que sua dramaturgia se move a partir da rebeldia de uma mulher preta, Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), que trata homens com a mesma voracidade e o mesmo desdém com que as forças femininas foram tratadas ao longo da História, dá ao longa de PTA uma carga politicamente poética. Há, ainda, uma reflexão frontal sobre o racismo, encarnada no núcleo em torno do Coronel Steven J. Lockjaw, o ferrabrás vivido por Sean Penn. Sua bilheteria foi de US$ 213 milhões.
Livremente inspirado na prosa de “Vineland” (1990), de Thomas Pynchon, o filme acompanha Bob (DiCaprio), um ex-revolucionário que vive afastado da militância, entre a paranoia e as drogas, ao lado da filha, Willa (Chase Infiniti). Dezesseis anos depois dos acontecimentos que marcaram sua juventude radical, o reaparecimento de um antigo inimigo, Lockjaw (Penn), e o desaparecimento da garota obrigam Bob a regressar à ação. Anderson transforma essa busca numa colisão entre os ideais revolucionários dos anos 1960 e a América contemporânea, atravessada por racismo, autoritarismo e violência militar.
A vitória na votação da FIPRESCI amplia uma temporada de consagração internacional para “Uma Batalha Após A Outra”, que saiu da última edição do Oscar com troféus em categorias como melhor filme, direção, produção de elenco (casting), ator coadjuvante, roteiro adaptado e montagem. Na eleição da crítica mundial, o longa de Anderson superou quatro finalistas de peso: “Silent Friend”, de Ildikó Enyedi; “The Voice of Hind Rajab”, de Kaouther Ben Hania; “Hamnet”, de Chloé Zhao; e “Fjord”, de Cristian Mungiu.
A entrega do Grand Prêmio FIPRESCI será realizada em meio à gala de abertura de San Sebastián, onde será exibido o longa “Ghost Song” (“Geister”), do teuto-turco Fatih Akin.