As amigas que podem levantar as bilheterias de 2026

Mônica Martelli e Ingrid Guimarães esão de volta em 'Minha Melhor Amiga', comédia rodada no Rio e em Lisboa

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

'Minha Melhor Amiga' chega aos cinemas com todo o empoderamento de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli

Deixando-se de lado os 4.603.398 pagantes do primeiro "Minha Mãe É Uma Peça", de 2013, no qual participavam só como coadjuvantes, Mônica Martelli e Ingrid Guimarães somam, no posto de protagonistas, uma venda casada de 28.157.347 ingressos com os blockbusters que fizeram de 2010 a 2024. É um êxito invejável. As duas estão de volta ao circuito exibidor a partir desta quinta-feira (3) com a comédia "Milha Melhor Amiga" que se espera da dupla é a maior arrecadação nacional de 2026, quando nossas produções vivem um tempo de amargor na tarefa de lotar multiplexes.

O longa brasileiro mais visto em circuito de janeiro até hoje foi "Velhos Bandidos", de Claudio Torres, com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, que estacionou seu faturamento na marca de 429.187 bilhetes vendidos. Ano passado, de janeiro a março, "Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa" deu o dobro disso (e mais um tiquinho), em dois meses em cartaz, somando cerca de um milhão - não por acaso, vai ganhar uma continuação, já rodada. Também ao longo de dois meses de 2025 (novembro e dezembro), "O Agente Secreto" - que nos deu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e o De Melhor Ator Dramático, recebendo quatro indicações ao Oscar - vendeu 1,1 milhões de entradas. Totalizou 2,5 milhões de espectadores nas telonas. Antes dele, "Ainda Estou Aqui", laçado em novembro de 2024 e oscarizado em pleno carnaval de 2025, somou 5,8 milhões de espectadores, faturando uma fortuna também no exterior.

Este ano, quando a nossa ocupação de tela mal chegou a 10% no primeiro semestre, o segundo lugar do pódio, "O Diário de Pilar na Amazônia", parou em 147.803 espectadores, o que é um marcador alarmista.

Apesar de essas contas darem tristeza, Martelli e Ingrid, em duo, dirigidas por Susana Garcia, podem ser a maior diversão, respectivamente nos papéis de Julia e Clara.

Rodado no Rio de Janeiro, em Lisboa e em Sevilha, o longa traz essas irmãs camaradas no auge dos 50 anos. Julia é uma jornalista divorciada que não acredita mais no amor e não se sente valorizada profissionalmente. Já Clara vive um casamento em crise e uma rotina frustrante em casa cuidando do marido, da sogra e do enteado, desgostosa de si também no trabalho, como corretora imobiliária. Quando suas filhas Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), de 16 anos, embarcam para um intercâmbio em Portugal, as duas amigas sentem dificuldade de lidar com a nova rotina, sem as meninas. Para dar um basta no baixo astral, decidem viajar até o Velho Mundo, na "Terrinha", e surpreender as adolescentes.

Quando chegam em solo europeu, como toda comédia da boa exige, nem tudo sai como planejado e elas vão precisar recalcular a rota para viver intensamente as melhores férias da vida em uma viagem transformadora. Entre as mais variadas encrencas, um historiador lusitano (Albano Jerónimo, o Marlon Brando de nossos patrícios) e um médico gente fina (Ricardo Pereira) hão de cruzar a rota das heroínas dessa Odisseia pela gargalhada perdida, bem calçada na direção de arte de Monica Costa.

Quem sabe da união entre a diva da franquia "De Pernas Pro Ar" (2011-2019) e a musa das tramas "marcianas" "Os Homens São de Marte" (2014) e "Minha Vida Em Marte" (2018) não venha uma chuva de milhões? É o que o se espera.

Os reis da comédia em nossas telas

Renato Aragão é o recordista de público de longevidade mais extensa de nossas telas (seis décadas, 51 filmes). Vendeu (numa conta bem arredonda) cerca de 107 milhões de tíquetes, seja entre os Trapalhões, seja nas aventuras solo de Didi.

As cifras associadas à Amácio Mazzaropi (1912-1981) em 32 longas-metragens fazem frente às do cearense de Sobral que atrapalhou o mau humor deste país. Seu problema é que parte de seus sucessos remontam a uma época na qual a aferição da receita cinematográfica, pautada em borderôs das salas exibidoras, não era apurada mecânica ou digitalmente como se faz hoje (sob o reforço analítico de portais como a Filme B), resultando em falhas de contabilidade.

Apesar disso, sabe-se que duas de suas mais notáveis performances, "Casa Pequenina" (1963) e "Jeca Tatu" (1959), totalizaram 8 milhões de pessoas (cada) no histórico de suas projeções em sala. O caso de Mazzaropi não é diferente do que se passou com títulos dos campeões da gargalhada de nossa chanchada (Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Zé Trindade e, sobretudo, Oscarito), que mobilizavam multidões (milhões e milhões) por cada comédia carnavalesca.