Contendores, ao páreo... do Oscar
Só no dia 16 de setembro, a Academia Brasileira de Cinema vai divulgar seu representante a uma vaga na disputa de Hollywood, mas o que não falta é concorrente em posição de ataque
Rodrigo Fonseca Especial para o Correio da Manhã
Agendada para 14 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles, a 99ª cerimônia do Oscar já começa a mobilizar o planisfério cinéfilo numa corrida pelos potenciais concorrentes a uma vaga na competição pela estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, sendo que 19 países já se adiantaram e inscreveram seus representantes locais. Fora esse contingente, no qual o nome mais expressivo (até agora) parece ser "Soudain", de Ryusuke Hamaguchi, há mais três títulos já no radar, selecionados sob a nova regra da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
A partir dela, longas-metragens premiados em alguns dos mais expressivos eventos competitivos do audiovisual serão automaticamente considerados para concorrer, a fim de evitar conflitos políticos, como se deu com a impostura francesa, em 2024, de esnobar "Anatomia de uma Queda" por rusgas internas. Assim sendo, serão considerados o ganhador de Sundance, que tem DNA albanês, "Shame and Money", de Visar Morina; o Urso de Ouro de 2026, que alma turca e verba alemã, "Yellow Letters", de Ilker Çatak; e a aclamada Palma de Ouro deste último Cannes, revelado em maio, "Fjord", do romeno Cristian Mungiu.
O Brasil viveu uma polêmica braba em 2025 para anunciar seu escolhido, num quiproquó entre "Manas" e "O Agente Secreto" (que acabou selecionado e concorreu a quatro láureas). Este ano, a decisão da Academia Brasileira de Cinema será conhecida no dia 16 de setembro. Há 15 produções brigando pelo posto. Elas foram anunciadas na última segunda. Lá estão (em ordem alfabética) "100 Dias", de Carlos Saldanha; "A Conspiração Condor", de André Sturm; "A Fabulosa Máquina do Tempo", de Eliza Capai; "A Natureza das Coisas Invisíveis", de Rafaela Camelo; "Ato Noturno", de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher; "Cinco Tipos de Medo", de Bruno Bini; "Dolores", de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes; "Feito Pipa", de Allan Deberton; "Herança de Narcisa", de Clarissa Appelt e Daniel Dias; "Nosso Segredo", de Grace Passô; "O Rei da Internet", de Fabrício Bittar; "Quando Vira a Esquina", de Chris Alcazar; "Malês", de Antonio Pitanga; "Papagaios", de Douglas Soares; e "Vicentina Pede Desculpas", de Gabriel Martins. Numa primeira peneira, marcada para 9 de setembro, essa seleção será reduzida a seis e, na semana seguinte, a um.
Como de praxe, a Academia de Hollywood vai anunciar uma lista de 15 finalistas no fim do ano (dia 15 de dezembro), antes da definição dos cinco indicados, que sai em 21 de janeiro de 2027. Entre os longas que já se apresentaram para serviço, "Coward", da Bélgica, chega com força, apoiada no prestígio de seu realizador Lukas Dhont, diretor de "Girl" (2018) e "Close" (2022). Exibido em competição em Cannes, o filme acompanha a paixão entre dois soldados durante a Primeira Guerra Mundial e deu a Emmanuel Macchia e Valentin Campagne o prêmio de Melhor Ator no festival francês.
Igualmente forte está o representante da Coreia do Sul, "Possible Love", novo trabalho do artesão autoral Lee Chang-dong, diretor premiado na Croisette com "Poesia" (2010) e "Burning" (2018). O enredo de seu novo trabalho trata da história de dois casais: de um lado, está um trabalhador recém-demitido e sua esposa; do outro, há uma documentarista e seu marido. Os caminhos deles se cruzam para a realização de um documentário, enquanto enfrentam suas diferentes realidades e desejos ocultos.
Também chamam atenção "Ulya", de Viesturs Kairišs, representante da Letônia, sobre a estrela do basquete Uljana Semjonova; e "How to Divorce During the War", de Andrius Bla€evicius, representante da Lituânia e vencedor da direção no World Cinema Dramatic Competition de Sundance. A América Latina se faz notar com o thriller queer mexicano "Em El Camino", de David Pablos, e com o romantismo dominicano de "Melodrama", de Andrés Farias.
A Noruega venceu "O Agente Secreto" na briga pelo Oscar este ano, com "Valor Sentimental", de Joachim Trier, mas ainda não pôs seu candidato da vez sob os holofotes. Pesa sobre ela o fato de que o supracitado "Fjord", de Mungiu, se passa em solo norueguês, retratando o que existe de xenófobo por trás do politicamente correto e dos discursos assistenciais depois que um pai romeno, radicado na Escandinávia, é acusado injustamente de maltratar filhas e filho. O papel é de Sebastian Stan, o Soldado Invernal da Marvel, que dispara nas listas de aposta para potenciais concorrentes ao Oscar de Melhor Ator por esse papel.