'Pão doce', a iguaria neorrealista em pílula

Francisco Gaspar marca seu nome na Serra Gaúcha com atuação soberba no curta sobre um padeiro

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

Atuação comovente de Francisco Gaspar amplia as potências de 'Pão Doce', o achado de Gramado no formato Brasil em pílula

Faltam três produções para encerrar a competição de curtas-metragens de Gramado em 2026, com projeções agendadas para a noite desta quinta-feira: "Revelação", de Gabriela I. Gaia; "Mulher Papaya", de Camila Tarifa; e "Maior Que A Casa Toda", de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti.

De tudo o que se viu na zona dedicada a pílulas de Brasil, nenhum título exibido comoveu mais a cidade do que "Pão Doce", de Wesley Gabriel Silva Santos. O desempenho de Francisco Gaspar na pele de um padeiro que encara os abusos laborais de uma jornada sem um pingo de humanidade levou o festival por uma trilha de neorrealismo (tardio, mas poético).

Se nos longas-metragens, o trabalho de José Loreto em "Chorão - Só Os Loucos Sabem", exibido na segunda, segue imbatível, nos curtas, Gaspar marcou seu nome e deixou seu talento GG se impor. Em Guarulhos, seu personagem, Fernando, tenta preservar o máximo de tempo para poder curtir o sexto aniversário da sua filha. Forçado a levar Sophia para a padaria, por não ter com quem deixá-la, ele precisa navegar pelo espaço estreito entre a sobrevivência profissional e o zelo paterno. A realização de Wesley Gabriel é primorosa, e evoca clássicos de SP nas telas como "O Grande Momento" (1958), de Roberto Santos.