Kevin Costner terá comédia inédita e clássico restaurado em Locarno

Festival recebe versão restaurada - e ampliada para quatro horas de duração - de 'Dança Com Lobos', o faroeste indigenista que deu o Oscar ao astro no início dos anos 1990

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

O tenente Dunbar (Kevin Costner) e o guerreiro Kicking Bird (Graham Greene) no western que desafiou intolerâncias

Livre de seus compromissos com a série "Yellowstone", que expandiu sua fama até os domínios do streaming e da TV, Kevin Costner tem uma comédia mucho loca para estrear, dividindo tela com Jake Gyllenhaal sob a direção de Glenn Ficarra John Requa: "Honeymoon with Harry". Sua trama nada tem a ver com os caubóis de que o astro tanto gosta. No enredo, quando a noiva de um homem morre dois dias antes do casamento, ele decide passar a lua de mel com seu futuro sogro.

Apesar desse investimento na excentricidade cômica, o ator e diretor de 71 anos se empenha para tirar do papel a terceira parte de sua saga à moda western "Horizonte", que ele inaugurou em 2024, numa projeção no Festival de Cannes. Antes de terminar esse projeto pessoal, Costner verá um de seus maiores sucessos renascer esta noite, via Suíça, na Piazza Grande do Festival de Locarno: "Dança com Lobos" (1990) será exibido lá, mas numa versão bem diferente da que conhecemos.

Vencedora de sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, a superprodução originalmente orçada em US$ 22 milhões será apresentada numa reedição restaurada em 4K, com quase quatro horas de duração, das quais fazem parte cerca de 30 minutos de cenas inéditas reintegradas.

O corte que Locarno receberá em primeira mão passou por um árduo trabalho de restauração no laboratório suíço Cinegrell, em parceria com o projeto Locarno Heritage e a distribuidora internacional K5 International. A iniciativa integra a mostra paralela à disputa pelo Leopardo de Ouro chamada Histoire(s) du Cinéma, dedicada a clássicos e cults recauchutados. Essa seção é um compromisso do festival com a preservação do patrimônio cinematográfico e por ela já passaram produções do catarinense Rogério Sganzerla (1946-2004).

Encarado como um trabalho de maturidade de Costner no apogeu de sua fama, "Dança com Lobos" ("Dance With Wolves") redefiniu o faroeste no início dos anos 1990 ao propor uma abordagem mais humanista sobre a expansão dos Estados Unidos para o Oeste, chamando a atenção para a violência sofrida pelos povos indígenas norte-americanos.

Sua trama se passa em 1863, quando o 1º Tenente John J. Dunbar (Costner), a serviço do exército da União, é ferido numa batalha que se encontrava num impasse em St. David's Field, no Tennessee. O cirurgião tenciona amputar sua perna. Preferindo morrer em combate, Dunbar rouba um cavalo e cavalga desarmado até à frente das linhas confederadas, mas sobrevive milagrosamente à sua tentativa de suicídio. As tropas da União aproveitam a distração para lançar um ataque bem-sucedido. Dunbar recebe cuidados médicos que salvam a sua perna e é presenteado com Cisco, o cavalo que montou durante a sua tentativa de suicídio, juntamente com a possibilidade de escolher o seu destino. Ele solicita uma transferência para a fronteira americana para a ver antes que desapareça.

Dunbar chega ao Forte Hays, onde o seu comandante, o Major Fambrough, designa-o para o posto avançado mais distante sob a sua jurisdição, o Forte Sedgwick. Ali ele passa a se conectar com uma civilização distinta da sua... ou quase.

Diretor artístico de Locarno, o crítico Giona A. Nazzaro, destacou que preservar títulos pop como "Dança com Lobos" é uma forma de apresentá-los às novas gerações e de refletir sobre os desafios das tecnologias contemporâneas. A bilheteria do longa chegou a US$ 424 milhões.