Madrugada de poder com Clint Eastwood na Globo

Por Rodrigo Fonseca

Clint Eastwood dirige e protagoniza "Poder Absoluto", na pele de um ladrão às voltas com um delito nas imediações da Casa Branca

Iguaria para os padrões da TV aberta, “Poder Absoluto” (“Absolute Power”, 1997) consolidou a fase mais elegante do cinema policial de Clint Eastwood, depois de sua jornada como Dirty Harry. O thriller criminal (de bastidores políticos) volta à tela da Globo nesta madrugada (na virada de domingo para esta segunda, no “Cinemaço”, à 1h45, com o astro em frente e atrás das câmeras numa história em que corrupção e e suspense caminham lado a lado.
Baseado no romance de David Baldacci e adaptado por William Goldman, o longa acompanha Luther Whitney (Clint Eastwood), um ladrão veterano especializado em invasões sofisticadas. Durante um roubo aparentemente perfeito a uma mansão de luxo, ele acredita ter encontrado o golpe que garantirá sua aposentadoria. Joias, relógios, dinheiro vivo e objetos valiosos bastariam para financiar uma vida tranquila e permitir que ele se dedicasse à sua paixão pela pintura, estudando mestres como El Greco.
Mas o plano muda de rumo quando Luther testemunha um crime brutal. Escondido atrás de um espelho falso, ele vê uma mulher ser assassinada depois de uma violenta discussão com o amante. O detalhe transforma o caso num escândalo de proporções nacionais: o homem envolvido é o presidente dos Estados Unidos, Alan Richmond, interpretado por Gene Hackman. A partir desse instante, o ladrão deixa de ser apenas um criminoso procurado e passa a carregar um segredo capaz de derrubar o ocupante da Casa Branca.
Produzido com orçamento de US$ 50 milhões, “Poder Absoluto” foi exibido hors-concours no Festival de Cannes e arrecadou cerca de US$ 90 milhões nas bilheterias mundiais. Eastwood conduz a narrativa com firmeza, transformando Luther num anti-herói complexo, cuja sobrevivência depende tanto de sua inteligência quanto da capacidade de escapar de uma poderosa máquina política empenhada em silenciá-lo.
O elenco reúne ainda Laura Linney, como a filha de Luther, Ed Harris, Scott Glenn, Judy Davis e Dennis Haysbert. Hackman, que já havia dividido a tela com Eastwood em “Os Imperdoáveis”, interpreta um presidente marcado pela arrogância e pela impunidade, reforçando a dimensão moral do confronto.
A direção privilegia um suspense clássico, sustentado pela fotografia de Jack N. Green e pela montagem precisa de Joel Cox, que alterna tensão e ação sem perder o foco nos personagens. O resultado é uma narrativa febril que combina entretenimento e crítica política, mantendo o espectador em permanente estado de alerta até os minutos finais. Isaac Bardavid dublou Clint no Brasil.