Festival de Bruxelas revela as entradas de seu menu
Depois de conquistar o Prêmio de Melhor Roteiro e uma láurea técnica de Melhor Montagem no Festival de Cannes de 2026, "Notre Salut" será o responsável por abrir, em 4 de setembro, a oitava edição do Brussels International Film Festival (BRIFF), na Bélgica. A escolha do longa para inaugurar o evento reforça a vocação do festival belga de aproximar sua programação das grandes vitrines internacionais e chega acompanhada do anúncio dos primeiros títulos da Competição Nacional, que reunirá algumas das principais produções belgas do ano entre 4 e 12 de setembro.
Criado em 2018 para devolver a Bruxelas um grande festival internacional de cinema, o BRIFF consolidou-se rapidamente como uma das principais vitrines do audiovisual belga e europeu. Em poucos anos, tornou-se ponto de passagem para produções que depois circulariam pelos principais eventos do circuito internacional, mantendo uma programação dividida entre competição internacional, mostra nacional, sessões especiais e retrospectivas. Entre os vencedores de sua competição principal ao longo da história estão "The Barefoot Emperor" (2019), de Jessica Woodworth e Peter Brosens; "Ghost Tropic" (2020), de Bas Devos; "Playground" (2021), de Laura Wandel; "Un Varón" (2022), do colombiano Fabián Hernández; e "Omen" (2023), de Baloji, produção que posteriormente representou a Bélgica na corrida pelo Oscar internacional. A edição de 2026 pretende ampliar ainda mais essa projeção internacional ao abrir seus trabalhos com um dos filmes mais premiados da temporada europeia.
Enquanto isso, a competição dedicada ao cinema belga começa a ganhar forma. Um dos destaques da primeira leva de anunciados é "Ceci n'est pas un film français", estreia em longa-metragem do ator e diretor Tom Adjibi. Transitanto entre documentário e ficção, o filme discute os estereótipos enfrentados por atores negros e racializados na indústria audiovisual francesa e belga. A produção estreou mundialmente no festival CPH, em Copenhague, realizado em março.
Outro título confirmado é "Frontera", novo trabalho de Judith Colell. Ambientado em 1943, na fronteira entre França e Espanha, o drama acompanha o confronto entre integrantes da resistência e tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Kevin Janssens, Joren Seldeslachts e Anna Franziska Jäger lideram o elenco.
A diretora Lou Colpé participa da seleção com "Comme un château fort", longa de forte inspiração autobiográfica que transforma sua própria casa numa metáfora para abrigo, memória e reconstrução pessoal. O filme foi lançado no festival suíço Visions du Réel, dentro da competição Burning Lights.
Já Caroline Strubbe conclui um projeto iniciado há quase vinte anos. Em "The Silent Treatment", a cineasta revisita os mesmos personagens e atores apresentados em "Lost Person Area" (2009) e retomados em "I'm the Same, I'm an Other" (2013), encerrando uma trilogia construída ao longo de duas décadas.
A animação também terá espaço na disputa com "Gregor", de Manuel Gomez. Exibido recentemente na seção Midnight Specials do Festival de Annecy, o longa em 2D acompanha seu protagonista por um thriller de atmosfera delirante, em que violência, poder e fantasia caminham lado a lado.
Completa esse primeiro anúncio "Kwibuka, se souvenir", segundo longa de ficção de Jonas d'Adesky. Estrelado por Sonia Rolland, o drama acompanha uma ex-jogadora de basquete que retorna a Ruanda décadas depois de ter deixado o país, ainda criança, para fugir do genocídio, sendo obrigada a confrontar as marcas desse passado.
Nas próximas semanas, o BRIFF anunciará os demais filmes que integrarão a Competição Nacional de 2026, além da seleção internacional completa e das sessões especiais que compõem a programação deste ano.