O futuro tem memória na CineOP
A 21ª edição da mostra em Ouro Preto reafirma a importância fundamental da preservação audiovisual para a construção da memória nacional
Responsável por um circuito de festivais que redesenhou o papel estratégico de seu estado na economia da cultura, Raquel Hallak abriu o ciclo de 2026 das maratonas cinéfilas nacionais de relevo estético tamanho GG em janeiro, com a Mostra de Tiradentes. A partir desta quinta, seu QG passa a ser Ouro Preto. Lá, a produtora celebra a maioridade da CineOP, evento que debate a preservação ao mesmo tempo que desbrava novos veios poéticos de nosso audiovisual.
Por lá hão de circular 135 filmes, sendo 33 longas, 4 médias e 98 curtas divididos em 42 sessões, que vão de 25 a 30 de junho. As projeções acontecem em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br.
A 21ª CineOP se desenha a partir de um tema: Um País Existe Nas Imagens Que Preserva. Estruturada sob a curadoria de Juliana Gusman e Cleber Eduardo, a mostra competitiva, intitulada Arquivos em Questão, reúne os longas "Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas", de Carlos Adriano (SP); "Apocalipse Segundo Baby", de Rafael Saar (RJ); "Universo Circular - Jocy de Oliveira", de Dácio Pinheiro (RJ); "Irritante Prodígio", de Luiza Lindner (SP); e "Notas sobre um Desterro", de Gustavo Castro (DF). Entre as pré-estreias da Mostra Contemporânea destacam-se "Anistia 79", de Anita Leandro (RJ); "Fernanda Abreu - Da Lata 30 Anos, o Documentário", de Paulo Severo (RJ); e "Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha", de Luis Abramo e Pedro Rossi (RJ).
A Mostra Histórica, dedicada aos primeiros filmes de diretoras brasileiras, exibe clássicos como "Feminino Plural", de Vera de Figueiredo (RJ); "Mar de Rosas", de Ana Carolina (RJ); "Que Bom Te Ver Viva", de Lucia Murat (RJ); "Um Céu de Estrelas", de Tata Amaral (SP); e "Um Dia com Jerusa", de Viviane Ferreira (SP). A homenageada desta edição é a cineasta Helena Solberg (RJ), cuja trajetória será revisitada por meio de obras como "A Entrevista" (RJ), "Meio Dia" (RJ) e "Carmen Miranda: Bananas Is My Business" (RJ).
Na Mostra Preservação ganham destaque as cópias restauradas de "O Ébrio", de Gilda Abreu (RJ), clássico que completa 80 anos; "Vento Norte", de Salomão Scliar (RS); "Jangada de Ir e Vir", de Marcus Vale (CE); e "A Luta do Povo", de Renato Tapajós (SP), além das pré-estreias de "Os Irmãos Segreto", de Michele Manzolini e Federico Ferrone (Itália/Brasil), e "O Filme Infinito", de Leandro Listorti (Argentina). A Mostra Educação apresenta "Fraternura", de Evanize Sydow e Américo Freire (RJ), e "Arquivo Vivo", de Vincent Carelli e Ana Carvalho (SP). Já a Mostrinha exibe "A Mensagem de Jequi", de Igor Amin (MG), ao lado de curtas e animações voltados ao público infantil e escolar.