O novo desafio para os brinquedos mais amados do cinema

Lindsay Collin, produtora de 'Toy Story 5', revela ao Correio aspectos da nova aventura da franquia mais popular da Pixar

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Pedro Sobreiro

Grande lançamento da Pixar no ano, 'Toy Story 5' chega aos cinemas nesta quinta-feira (18) para continuar com a saga de Woody, Buzz Ligthyear e os outros brinquedos que encantam gerações há mais de três décadas. Dessa vez, a grande ameaça aos brinquedos é a tecnologia. Na trama, a pequena Bonnie ganha um tablet chamado "Lilypad", que rouba toda a atenção da criança.

Deixados de lado, os brinquedos tentam consertar a situação, mas logo se deparam com uma situação inusitada: o aparelho pode filmá-los e expor o segredo dos brinquedos ao mundo.

Para ajudar com esse problema, Jessie e Buzz vão contar com a ajuda do velho amigo Woody, que voltará à trama depois de uma bela despedida para viver com seu amor, Betty, num parque de diversões em 'Toy Story 4' (2019).

A convite da Pixar Animation Studios, o Correio da Manhã conversou com Lidsey Collins, vice-presidente sênior de Desenvolvimento da Pixar, e produtora de "Toy Story 5" para desvendar alguns segredos sobre o novo sucesso da casa.

Uma das novidades do filme é o visual do Woody, que quebrou a internet com seu jeito "paizão aposentado". O cowboy de pelúcia e vinil está mais "cheinho", ostentando uma barriguinha de chope, e está calvo. Questionei Lindsey se essa piada visual foi uma brincadeira com as crianças que viram o primeiro filme nos cinemas, que já estão vendo as primeiras 'entradas' nascerem no cabelo. "Olha, se o Andrew [Stanton, diretor do filme] estivesse aqui, ele diria: 'Com certeza!'. Nós pensamos: 'Quer saber? Ele merece isso'. Ele está vivendo a melhor fase de sua vida. Ele está se aventurando pela estrada com o seu poncho... E a vida na estrada é dura, ele não tem tempo para ficar cuidando do cabelo. Ele só está envelhecendo, e está tudo bem! Ficamos surpresos com o quanto o público se mostrou protetor com o Woody quando o trailer saiu e as pessoas reagiram a essa cena", brincou Lindsey.

Um grande desafio acerca desse filme é um certo preconceito, por assim dizer, de parte dos fãs, que sentem que a saga acabou em 2010, com Toy Story 3, e torcem o nariz para os novos capítulos da franquia que vieram depois. Apesar disso, Toy Story 4 venceu o Oscar de Melhor Animação e arrecadou mais de US$ 1 bilhão. Para a Pixar, essas críticas não podem afetar no processo criativo dos artistas. "Eu penso que 'Toy Story 3' foi, de certa forma, o fim do 'capítulo do Andy' na franquia, por assim dizer. Depois, com 'Toy Story 4', foi o início da 'Era Bonnie'. E agora, para criar 'Toy Story 5', o processo criativo foi igual ao de todos os nossos filmes: nós simplesmente começamos nos perguntando: 'Existe uma história a ser contada aqui?'. Nós debatemos isso por um tempo e, às vezes, a resposta é 'não', e todo mundo segue em frente. Mas surgiram algumas ideias neste projeto que pareceram super instigantes para todos nós e, certamente, para o Andrew [Stanton], que estava escrevendo o roteiro — disse a produtora.

Questionada sobre que ideias foram essas, ela acabou revelando um pouco mais da trama do novo filme. "A primeira foi perceber que a Jessie agora é quem está no comando. Teve aquele momento da passagem do distintivo de xerife para ela no final do filme 4, então pensamos: 'Ok, o que aconteceria se a Jessie comandasse o quarto?'. A segunda foi: 'O que os brinquedos estariam passando nos dias de hoje?'. Sabe, eles são como pequenos vampiros; continuam com a mesma idade, mas o mundo ao redor avança. Eles teriam que lidar com a tecnologia, e isso seria um problema gigantesco para eles, porque as crianças estão tendo acesso a dispositivos tecnológicos cada vez mais cedo. E isso representa uma enorme ameaça para os brinquedos, e nós vemos isso acontecer com nossos próprios filhos", contou.

"E o fato de termos a Jessie na liderança torna tudo mais divertido, porque todos nós a amamos justamente por ela ser um pouco imprevisível e meio maluca. Se você voltar ao primeiro Toy Story, quando o Buzz pousa na cama diante do Woody, a dinâmica aqui é muito parecida, só que com dez vezes mais intensidade, porque a Jessie é o tipo de personagem que está pronta para brigar com qualquer um a qualquer momento. Aí você adiciona um dispositivo tecnológico super ameaçador e nós pensamos: 'Nossa, vai ser muito divertido assistir a isso'. Foi aí que percebemos que havia potencial. Depois o Andrew disse: 'A propósito, eu também gostaria de ter 50 Buzz Lightyears no filme'. Nós ficamos tipo: "Espera aí, o quê?". Então dissemos para ele escrever um rascunho para ver se a ideia se sustentava, porque é assim que ele trabalha. Quando ele voltou com a primeira versão do roteiro, todos pensamos: 'Uau, com certeza temos algo muito divertido aqui'. Ele escreveu em absolutamente todos os filmes de Toy Story, então, quando nos trouxe um primeiro rascunho onde todos esses elementos funcionavam juntos, foi uma decisão óbvia — completou.

Funcionária da Pixar desde 1997, Lindsey trabalhou em um dos filmes mais belos e caóticos da história do cinema: "Toy Story 2". Para a produtora, "Toy Story 5" é meio que uma sequência espiritual do segundo filme da saga, justamente por ser focado na história da Jessie. "Eu amo 'Toy Story 2'! É um dos meus filmes favoritos entre os que trabalhei e um dos melhores que a Pixar já fez. Você acertou na mosca! Eu sinto que 'Toy Story 5' é quase como uma sequência direta de 'Toy Story 2'. Há muita coisa no 5 que dialoga diretamente com o segundo filme. É por isso que, quando as pessoas me perguntam sobre o fator nostalgia em 'Toy Story 5', eu digo que ela está fortemente enraizada no 2, por causa da Jessie. É a resposta à jornada da Jessie que os fãs de 'Toy Story 2' sonhavam desde aquela época. É por isso que funciona tão bem. O filme é, antes de tudo, o filme da Jessie. Em segundo lugar, é sobre tecnologia. Mas, como todas as nossas produções, é baseado nos personagens, e a protagonista desta história é ela. Ela conduz o filme, as dificuldades são dela, o arco dramático é dela, e tudo isso está muito ligado ao que construímos em 'Toy Story 2'. Não quero dar spoilers, mas o motivo de este filme funcionar tão bem para mim, pessoalmente, é o quanto ele se apoia no segundo longa — concluiu a produtora.

Por fim, Lidsey Collins compartilhou o que os fãs podem esperar do novo capítulo da saga. "Acho que os fãs podem esperar um retorno ao mundo que eles tanto amam, ao lado dos personagens com quem cresceram ou que conheceram recentemente e aprenderam a amar. Mas também acho que eles serão apresentados a um elenco totalmente novo de personagens que, eu espero, vão dar a sensação de que sempre pertenceram àquele lugar, junto aos veteranos que conhecemos há anos. E, por fim, espero que as pessoas saiam do cinema inspiradas a usarem um pouco mais a própria imaginação. Que vejam a imaginação, talvez, como o verdadeiro antídoto contra o excesso de tecnologia", desejou.