Fatura a liberdade
Novo 'Todo Mundo Em Pânico', comemorativo dos 26 anos da franquia dos irmãos Wayans, ganha de lavada do longa do He-Man, apostando no escracho contra a 'correção política'
Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Mimimi não é com os Wayans, clã composto por 15 artistas conectados com a luta antirracista, que, no último fim de semana, emplacou uma vitória histórica em Hollywood... e bem no auge da Summer Season (a temporada de filmes de verão dos EUA, lotada de superproduções)... ao derrotarem o badalado (mas esquizofrênico) longa-metragem do He-Man. O atual "Mestres do Universo" perdeu para uma comédia que é violentíssima com a caretice: "Todo Mundo Em Pânico".
Com o mesmo título (até no original, em inglês: "Scary Movie") da chanchada que os consagrou, há 26 anos, a empreitada mais autoral da Família Wayans custou US$ 30 milhões e embolsou US$ 106 milhões em apenas quatro dias, de quarta até domingo. Chegaram a essa marca no mesmo fim de semana em que a indústria hollywoodiana emplacou seu primeiro bilhão de 2026: a animação "Super Mario Galaxy".
Já "The Masters of the Universe", mesmo com Garcia Júnior gritando "Eu tenho a força!" nas cópias dubladas do Brasil, pastou na grama da indiferença, prejudicado pela necessidade atávica de seus roteiristas em implementar piadinhas contra a representação masculina e contra o próprio desenho animado (de 1983) do qual se deriva. Gastou cerca de US$ 170 milhões para sair do papel (algumas fontes falam em US$ 200 milhões), mas arrecadou só US$ 54 milhões.
Enquanto o He-Man chegou cercado de discursos pavimentados pelas patrulhas da correção política (as mesmas que esmagaram o fôlego das produções cômicas), o novo "Scary Movie" se besunta na anarquia, pisando pesado no acelerador do deboche, sem poupar a esquerda, a direita, o centro, os Republicanos e os Democratas de ataques. O nome do longa segue fazendo troça com a franquia "Pânico" (1996-2026), mas os Wayans estendem sua metralhadora para outros sucessos do terror, como "Corra!", "Longlegs", "M3GAN", "A Hora do Mal" e "Terrifier".
O oceano de palavrões no script e a aposta em heróis tortos, como o maconheiro profissional Shorty (papel de Marlon Wayans, do fenômeno "As Branquelas"), valeu à produção saraivadas de críticas azedas. Esse azedume entre resenhistas americanos e o nariz torcido da ala woke só fizeram fomentar a procura do público pelo novo "Todo Mundo Em Pânico", que é hilário.
Na trama, a vítima preferida do assassino serial Ghostface, Cindy Campbell (Anna Faris), vive em reclusão, encachaçando a "caveira", numa casa repleta de rifles e de armadilhas, à espera de seu ferrabrás. Quando sinais de que ele está vivo, ativo e sangrento se fazem notar, a turma de Cindy, formada por um paciente de uma cura gay (fracassada), Ray Wilkins (Shawn Wayans), e os irmãos Shorty e Brenda Meeks (Marlon e Regina Hall), reaparecem para ajudá-la.
Outro filme que celebra a força da cultura negra no cinemão ocupa considerável destaque no pódio das bilheterias internacionais: "Michael", de Antoine Fuqua. A cinebiografia do cantor Michael Jackson (1958-2009), ambientada entre a segunda metade dos anos 1960 e 1986, já arrecadou US$ 888,6 milhões, ocupando o segundo lugar na raia dos maiores faturamentos do ano âmbito cinematográfico. "Dia D", de Steven Spielberg, chega a ela nesta quinta, com fome.