Chopin em novos solfejos

Produção polonesa pede passagem ao circuito nacional

Por

Eryk Klum brilha no papel de Chopin

Crítica – “Chopin, uma sonata em Paris”
Acordes de antigamente, mas ainda suntuosos - POR RODRIGO FONSECA
Pátria de vozes autorais cinematográficas ribombantes (de Andrezj Wajda a Agnieszka Holland, passando pelo divo da hora, Pawel Pawlikowski), a Polônia hoje testemunha o caminhar de Michal Kwiecinski rumo à consagração, carregando em seu currículo de direção o premiado “Servindo Nazistas” (2022). Ali firmou uma parceria sólida com o ator Eryk Klum. O talento do jovem intérprete é fundamental para fazer de “Chopin, Uma Sonata Em Paris” – a expressão poética mais recente de Kwiecinski – um oásis de excelência no terreno das biopics (épicos de tom biográfico). Qual o “Bohemian Rhapsody” (2018), de Bryan Singer, esta recriação histórica da vida de um músico avesso a normas funciona mais como um painel de uma Europa em fase de adoecimento do que como um verbete de Wikipedia sobre um musicista virtuoso. “Chopin, Chopin” (título original) tem a tessitura e o colorido retido das massas de sangue escarradas por seu personagem central em meio à tuberculose. Frédéric François Chopin... ou Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) sangrou pulmões afora, em decorrência do bacilo de Koch, em paralelo à sua trajetória de composições lendárias, amores frustrados e rivalidades com Franz Liszt (papel dado a Victor Meutelet), além da paixão pela escritora George Sand (Joséphine de La Baume). Com um orçamento de US$ 19 milhões, Kwieci?ski teve quatro meses de filmagem para reinventar a Europa do século XIX, apoiado em 260 atores, 5 mil figurantes e cerca de 600 profissionais em sua equipe. Com esse contingente e o talento de Klum no papel central, faz uma superprodução com cara de antigamente, resgatando (com suntuosidade) a fase em que Chopin foi um ídolo da aristocracia e uma presença constante nos salões de Paris. Apresenta seu personagem como um poeta desterrado, sem pertencimento. (Rodrigo Fonseca)