'Fjord' dá ao romeno Cristian Mungiu sua segunda Palma de Ouro
“Fjord” rendeu a Palma de Ouro de 2026 ao romeno Cristian Mungiu, apoiado numa narrativa de espinhosa provocação acerca da violência contra imigrantes e intolerância religiosa. O Grande Prêmio do Júri, a láurea que costuma demarcar exercícios estéticos de esmero formal agigantado, coube a “Minotaur”, da Rússia. Há uma espécie de terceiro lugar no pódio, o Prêmio do Júri, que foi outorgado a “The Dreamed Adventure”, um thriller de máfia às avessas de Valeska Grisebach. O time de juradas e jurados deste ano, presidido pelo sul-coreano Park Chan-wook (realizador de “OldBoy”), escalou Javier Calvo e Javier Ambrossi para receber a láurea de Melhor Direção, com “La Bola Negra”. Além deles, Pawel Pawlikowski foi laureado pela direção de "A Terra do Meu Pai", que aborda Thomas Mann, o autor de "A Montanha Mágica". Os troféus de Melhor Interpretação foram atribuídos a Tao Okamoto e Virginie Efira (por “Soudain”) e a dupla Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por “Coward”. O Melhor Roteiro para Park e seu colegiado foi “Notre Salut”, de Emmanuel Marre.
A Argentina, que hoje sofre com Javier Milei, celebra a glória de um de seus talentos mais audazes do momento, Federico Luis, agraciado com a Palma de Curtas por “Para Los Contricantes”. Já Rwanda faz festa pela Caméra d’Or entregue a “Ben’Imana”, de Marie Clémentine Dusabejambo, celebração das forças femininas da África.
Esse palmarês foi anunciado na tarde deste sábado, no Palais des Festivals. Coube à atriz, cineasta e cantora Barbra Streisand uma Palma de Ouro Honorária... a terceira deste ano, pois antes dela, a honraria foi confiada ao ator John Travolta e ao diretor Peter Jackson.
Mesmo sem cineastas de nossa pátria concorrendo na disputa principal, o audiovisual do Brasil mordiscou o chamado “palmarês” (a premiação) de Cannes, em âmbitos paralelos. Lucas Acher ganhou a competição La Cinef, de curtas universitários e escolares, com “Laser-Gato”, de raízes paulistas. O chileno “La Perra”, que tinha Selton Mello no elenco e o produtor Rodrigo Teixeira na linha de frente de sua equação criativa, rendeu a Palm Dog à sua estrela canina, a cadelinha Yuri. Na seção Um Certain Regard, “Elefantes na Névoa”, trama do Nepal coproduzida por Tatiana Leite e Leonardo Mecchi, rendeu uma láurea à sua equipe de som, de SP, e ganhou o Prêmio do Júri de sua competição.
Com o término de Cannes, as atenções da indústria cinematográfica se voltam para o Festival de Locarno, na Suíça, que agendou suas atividades de 5 a 15 de agosto, com homenagens à atriz Isabella Rossellini e ao diretor Darren Aronofsky. É um dos pontos do circuito cinéfilo que aquecem as expectativas para o Oscar.
Premiação de Cannes em 2026
PALMA DE OURO: “Fjord”, de Cristian Mungiu (Romênia)
GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: “Minotaur”, de Andrey Zvyagintsev
PRÊMIO DO JÚRI: “The Dreamed Adventure”, de Valeska Grisebach
DIREÇÃO: Javier Calvo e Javier Ambrossi, por “La Bola Negra”, e Pawel Pawlikowski, por "A Terra do Meu Pai"
ROTEIRO: “Notre Salut”, de Emmanuel Marre
ATRIZ: Tao Okamoto e Virginie Efira, por “Soudain”
ATOR: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por “Coward”
CAMÉRA D’OR (melhor filme de estreante): “Ben’Imana”, de Marie Clémentine Dusabejambo (Rwanda)
PALMA DE CURTA-METRAGEM: “Para Los Contrincantes”, de Federico Luis (Argentina)
DOCUMENTÁRIO: “Rehearsals for a Revolution”, de Pegah Ahangarani (Irã/ República Tcheca/Espanha)
QUEER PALM (Láurea queer): “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, de Jane Schoenbrun (EUA)
PRÊMIO DO JÚRI ECUMÊNICO: “Fjord”
PRÊMIO DA CRÍTICA (FIPRESCI): “Fjord”