Enquanto isso, na Quinzena... rola pagode russo

Kanentmir Balagov se aproxima do universo masculino em 'Butterfly Jam'

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

O coringa Barry Keoghan (à esquerda) amplia a popularizade de 'Butterfly Jam'

Kanetmir Balagov nasceu em 1991, numa Rússia que se ergueu nos escombros da URSS. Talvez por isso, seu novo (e brutalíssimo) filme, "Butterfly Jam", exibido na abertura da Quinzena de Cineastas busque as Rússias que se formaram pelo mundo em muitas diásporas, inclusive a fuga do comunismo em fase stalinista, chegando a espaços como Nova Jersey.

Lá se passa o novo trabalho do realizador de "Uma Mulher Alta" ("Beanpole"), longa que lhe valeu o prêmio de Melhor Direção e Láurea da Crítica na mostra Un Certain Regard de Cannes, em 2019. Numa trama ambientada nos EUA, ele chega mais próximo do universo masculino do que nos seus longas-metragens anteriores, e desta vez em inglês. A projeção foi um estrondo no balneário, em parte pela presença estelar de Barry Keoghan, o novo Coringa da saga Batman com Robert Pattinson.

Foi o título mais festejado na cidade, desde que as luzes do festival se acenderam. "Butterfly Jam" segue os passos de Pyteh (Talha Akdogan), um adolescente eslavo de 16 anos, que vive em Newark, divide a vida entre os treinos de luta livre e o restaurante da família, que atravessa dificuldades financeiras. Quando o pai, interpretado por Keoghan, toma uma decisão impulsiva, o rapaz é forçado a confrontar-se com o crime.

"Queríamos abraçar o embaraço, porque acreditamos que o embaraço é uma forma de sinceridade", afirmou Balagov num papo com a plateia. "Acho que se tivesse feito este filme no Cáucaso do Norte o resultado teria sido muito semelhante no que toca às relações familiares. Sempre tento quebrar os estigmas associados às pessoas do Norte do Cáucaso e, ao mesmo tempo, mostrar à minha própria comunidade que podemos olhar para nossas questões de outra forma."