'Zico' leva 31 mil pagantes aos concorridos gramados da não ficção

Por Rodrigo Fonseca

Arthur Antunes Coimbra, o Zico, em cena do Japão, país em que transformou o futebol numa arte

Num momento árduo de luta para o cinema nacional lotar salas, “Zico, O Samurai de Quintino” mete um golaço ao levar 31 mil pagantes ao circuito em seus três primeiros dias em cartaz. A boa acolhida ao .doc de João Wainer aquece o circuito para um bonde de longas-metragens e de séries sobre futebol que saem do forno nas raias da Copa do Mundo, agendada de 11 de junho a 19 de julho.


Com materiais de arquivo raros e depoimentos de grandes ídolos esportivos, “Zico, o Samurai de Quintino” estreou no dia 30 de abril com fome de salas cheias, apelando para a torcida do Flamengo encher os multiplexes do Rio de Janeiro e demais estados. Sua narrativa conduz o espectador a um passeio pelo acervo pessoal de Arthur Antunes Coimbra, um craque imortalizado sob a alcunha de Galinho e famoso por seus passes cheios de destreza nos jogos do Flamengo.

Entre os muitos resgates históricos feitos sob a direção de João Wainer, encontra-se a icônica camisa 10 usada na final do Mundial de 1981 e registros de uma temporada de Zico no Japão, quando ele virou peça fundamental para o desenvolvimento do futebol nipônico, treinando atletas asiáticos. Um dos empenhos da produção é driblar traços do machismo e escala vozes femininas, entre as quais a da companheira do jogador, Sandra.

Desde que chegou aos 70 anos, em 2023, o astro de Wainer já foi distinguido com uma estátua, com livros (como “O Efeito Zico”, de Marcos Eduardo Neves) e até uma história em quadrinhos (“Zico – 50 anos de Futebol”, de Flávio Soares e Samuel Bono). Faltava o cinema exaltá-la. João Wainer deu conta dessa lacuna.

As filmagens tiveram início em 2023, ano em que Zico entrou na casa dos setenta, e passaram por locais emblemáticos, como a casa da jogadora no bairro de Quintino, e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto percorreu também o Japão, país onde se tornou uma figura central no desenvolvimento do futebol, desde o clube operário Sumitomo Metals até à seleção japonesa. “Quando retiramos Zico do lugar de ídolo e o colocamos no lugar de ser humano, o filme ganha outra dimensão. Deixa de ser apenas para adeptos do Flamengo. Passa a ser uma história sobre amor, família, laços, compromisso, respeito e conflitos internos”, disse Wainer ao Correio.

A trajetória profissional do cineasta das mais plurais. O realizador assina a realização da série da Netflix “Doleira” (2024) e do thriller “Bandida” (2024), da Paris Filmes. Realizou ainda a ficção “A Jaula” (2022) e os documentários “Larissa: O Outro Lado de Anitta” (2025), “Pixo” (2009) e “Junho” (2014). Dirigiu também o videoclipe “Funk Rave”, de Anitta, vencedor do prémio de melhor videoclipe latino nos MTV Video Music Awards 2023, além de trabalhos com artistas como Emicida, MV Bill e Racionais MC’s.


O maior sucesso brasileiro deste ano segue sendo “Velhos Bandidos”, com cerca de 400 mil pagantes.