Sabre de luz em punho

Mercado se inunda de colecionáveis baseados na saga estelar de George Lucas, nos festejos do 'Dia Star Wars', com filme novo, série com Wagner Moura e muitos quadrinhos dos Jedi

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

O malvadão Darth Vader em cena de 'O Imperio Contra-Ataca', de 1980

Mercado se inunda de colecionáveis baseados na saga estelar de George Lucas, nos festejos do 'Dia Star Wars', com filme novo, série com Wagner Moura e muitos quadrinhos dos Jedi

Já está aberta, no Ingresso.com, a venda de tíquetes para "O Mandaloriano e Grogu", o novo capítulo audiovisual da saga "Star Wars", que, nesta segunda-feira, deve impulsionar a busca (leia-se compra) pelos mais variados produtos - sobretudo entradas de cinema - em meio à celebração do 4 de Maio, o Dia de Guerra nas Estrelas. Tem bonequinho, caneca, pantufa, camisetas e até pipoqueiras com as personagens derivadas do universo criados por George Lucas em destaque nas lojas (físicas e virtuais), nesta efeméride nerd.

É inclusive uma data sagrada para os adeptos do Jediísmo, uma religião (à vera, com evangelho e tudo) que ganhou notoriedade a partir de um censo realizado na Inglaterra, em 2001. Essa comemoração tem a ver com um trocadilho inerente ao bordão da Ordem de Cavalaria Jedi: "Que a Força esteja com você!". Em inglês, a fala é "May the Fourth be with you" (literalmente "Que o Quatro de Maio esteja com você!"). Daí nasceu, informalmente, uma festa na qual a Lucasfilm e, atualmente, sua parceira, a Walt Disney Company, pegaram carona.

Tem lançamentos dos mais variados com a grife de Darth Vader e cia., com destaque para a série de animação "Darth Maul - Lorde das Sombras", atual fenômeno do Disney . Wagner Moura está nela, como intérprete do policial estelar Brander Lawson. Dois novos episódios serão lançados esta manhã.

Divulgação - 'Star Wars: Maul - Lorde das Sombras' é a febre animada do momento na Disney Plus, com Wagner Moura no elenco de vozes

Fora isso, action figures (bonecos para colecionadores) de seu vilão inundam a internet. Sairá ainda um quadrinho com o personagem: "Star Wars: Darth Maul - Preto, Branco E Vermelho". A Panini Comics lança essa HQ aqui em junho, inspirada pelo furor popular do seriado. O herói com a voz de Wagner (nos EUA) tem peso determinante na trama.

A fim de manter a lei no cosmos, apesar do domínio do Império, Lawson participa da cruzada de vingança de um caído Lorde Sith (um Jedi do mal), que usa um sabre de luz de duas lâminas. Foi Maul quem matou Qui-Gon Jin (Liam Neeson) em "A Ameaça Fantasma" (1999), o longa-metragem que abriu a segunda trilogia de "Star Wars", que vai do fim dos anos 1990 até 2005 - embora, cronologicamente, sua trama seja a gênese daquela dramaturgia. Lucas rodou esses três filmes, mais o primeiro (chamado "Episódio IV: A Nova Esperança"), lançado em 25 de maio de 1977. JJ Abrams produziu os últimos, entre 2015 e 2019, e filmou dois deles. Não chegou nem aos pés do que Lucas gerou.

Quando passou pelo Festival de Cannes de 2012, para a exibição de "Esquadrão Red Tails" (do qual foi produtor), George Walton Lucas Jr. anunciou sua aposentadoria do mercado cinematográfico e cumpriu com o anúncio. Embora seu nome ainda circule por diferentes mídias, associado ainda a outra amada franquia da cultura pop - "Indiana Jones" -, o mítico cineasta chegou aos 81 anos sem interesse em encarar os meandros atuais de um mercado que ajudou a reconfigurar. Mercado esse que, anualmente, a cada 4 de maio, louva seus feitos gloriosos - com homenagens, sessões especiais e comércio pesado. Em 2024, ele ganhou uma Palma de Ouro Honorária de Cannes.

A láurea demarcou seu lugar como realizador autoral na revolução estética conhecida como Nova Hollywood (1967-1981), quando uma leva de jovens cineastas (Martin Scorsese, Brian De Palma, Elaine May, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Bob Rafelson) transformaram o modo de se filmar nos Estados Unidos, engajando as narrativas fílmicas a debates sociológicos, modificando a forma de se narrar ao desafiarem convenções moralistas.

"No fim da década de 1960, as lideranças dos grandes estúdios estavam se aposentando. Suas empresas foram vendidas para grandes corporações de outros ramos, como a Coca-Cola, que não entendiam o ofício cinematográfico, encarando-o apenas como um negócio. Os novos executivos que chegaram resolveram contratar uma turma de jovens estudantes de Cinema para ocupar as brechas criativas. Eu era um deles", disse Lucas numa masterclass em Cannes. "A minha geração não fazia filmes para ganhar dinheiro, a gente filmava pelo desejo de fazer cinema. Nós amávamos filmes".

O amor planetário por "Star Wars" será alimentado pela estreia de um longa com Ryan Gosling agendado para 2027 (na celebração dos 50 anos da franquia) chamado "Starfighter", dirigido pela máquina de lucrar Shawn Levy (de "Deadpool & Wolverine"). O astro brilha hoje nas telas em "Devoradores de Estrelas". Tem um longa chamado "A Origem dos Jedi" em ponto de bala para ser filmado, com James Mangold (de "CopLand") no radar. No Disney Plus, a série "Andor", com Diego Luna, é um ímã de fãs. Em breve estreia lá uma nova temporada de "Ahsoka", com Rosario Dawson.

No Brasil, a Panini alimenta a paixão pelo legado de Lucas com os álbuns gráficos "A Batalha de Jakku" e "Ahsoka". Pôs à venda ainda o orbrigatório "Star Wars: Visions".