BAFICI anuncia sua premiação, com um mimo para o Brasil

Um curta-metragem gaúcho ganha uma láurea paralela para produções latinas no festival argentino

Por Rodrigo Fonseca

Egresso do Rio Grande do Sul, "Banho Maria" celebra o ócio no embate contra a opressão laboral e saiu do BAFICI com um prêmio paralelo para curtas-metragens

Chegou ao fim, na noite de sábado, a 26ª edição do BAFICI, cuja cerimônia de premiação deu seu Grande Prêmio a três produções (pautadas pela ousadia) de sua trinca de competições oficiais: pérola da casa, “Plata o Mierda”, de Toia Bonino y Marcos Joubert, venceu a Disputa Argentina; a produção metade belga, metade vietnamita “Hair, Paper, Water…”, de Nicolás Graux e Minh Quy Trng, ganhou o concurso de Filmes Estrangeiros; e “Lo Demás Es Ruido”, de Nicolás Pereda, do México, consagrou-se na seção Vanguarda de gênero. Houve uma láurea de júris paralelos para o Brasil: o prêmio FilmsToFestivals, dado ao melhor curta latino, ficou com o gaúcho “Banho Maria”, de Gabriel Faccini. Na trama dessa crônica sobre escolhas, uma jovem trabalhadora na casa dos 30 anos (Silvana Rodrigues) aproveita a manhã um de calor escaldante para faltar ao trabalho, enfurnando-se num resort aquático cheio de estátuas de dinossauros. Um garotinho que está aniversariando no local aproveita que a moça está sem nada para fazer para interpela-la acerca das rotinas laborais da vida adulta.

Após onze dias de competição, com mais de 700 sessões nas quais foram exibidos 327 filmes, o BAFICI 27 terá mais uma bateria de projeções neste domingo, numa espécie de “chorinho” para plateias retardatárias. O anúncio de seus prêmios ficou a cargo do diretor artístico do festival, Javier Porta Fouz, e dos programadores, que anunciaram os eleitos do júri no Auditório da Usina del Arte. A cerimônia contou ainda com homenagens póstumas ao diretor (ganhador do Oscar) Luis Puenzo e do ator Luis Brandon, que morreram esta semanai.

Ao entregar o Grande Prêmio Cidade de Buenos Aires para “Los Vencedores”, de Pablo Aparo, o Chefe do Governo da cidade, Jorge Macri, declarou: “Hoje, nesta festa do cinema, recordamos com enorme carinho Luis Puenzo e Luis Brandoni, dois ícones da cultura nacional que nos deixaram nesta semana. Ambos amavam profundamente Buenos Aires, assim como todos nós a amamos. E essa relação entre Buenos Aires e o cinema não é por acaso: sem cinema não há Buenos Aires. Ir ao cinema faz parte do estilo de vida dos portenhos, e isso é algo que sempre defenderemos. Porque, para nós, investir em cultura é cuidar e fortalecer essa indústria, com mais Mecenato, Cash Rebate e o Fundo Metropolitano”.

Divulgação - "Plata o Mierda" recebeu o Grande Prêmio da seção Argentina

“Plata o Mierda” retrata o intercâmbio de informações entre um presidiário e sua namorada por meio de gravações clandestinas de celular. Já “Hair, Paper, Water…” acompanha o esforço de uma anciã para transmitir sua língua a parentes mais jovens. Quanto a “Lo Demás Es Ruido”, sua trama detalha a entrevista nada ortodoxa de uma musicista contemporânea.

 

OS PRÊMIOS OFICIAIS
COMPETIÇÃO OFICIAL ARGENTINA
GRANDE PRÊMIO
“Plata o mierda”, de Toia Bonino e Marcos Joubert
MELHOR LONGA-METRAGEM
“Machado”, de Julián Tagle
MELHOR CURTA-METRAGEM
“Yegua”, de Virginia Scaro
MELHOR DIREÇÃO
Tamara Leschner, por “Te amo, Antoño”
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“Los días posibles - Trilogía sobre la ternura”, de Rodrigo Guerrero
MELHOR ATUAÇÃO
Gonzalo e Javier García-Pelayo, por “In the sentimental lugo”, de Lucía Seles
MENÇÕES ESPECIAIS
“El estirón”, de Guido Montini
“Gente de la ruta”, de Lucas Koziarski
“Cuarto de flores”, de Sofía Guerrini
COMPETIÇÃO OFICIAL INTERNACIONAL
GRANDE PRÊMIO
“Hair, Paper, Water…”, de Nicolás Graux e Minh Quy Trng (Bélgica / França / Vietnã)
MELHOR LONGA-METRAGEM
“Forêt ivre”, de Manon Coubia (Bélgica / França)
MELHOR CURTA-METRAGEM
“Queda en mí”, de Rafael Nir (Argentina)
MELHOR DIREÇÃO
Pablo Aparo, por “Los vencedores” (Argentina / Reino Unido)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“La lucha”, de José Alayón (Espanha / Colômbia)
MELHOR ATUAÇÃO
Katia Pascariu, por “Sorella di clausura”, de Ivana Mladenovi (Romênia)
MENÇÕES ESPECIAIS
“Bicho”, de Nicolás Sequeira e Diego Acosta (Uruguai)
“La peluca”, de Emiliano Rocha Minter (México)
COMPETIÇÃO VANGUARDA E GÊNERO
GRANDE PRÊMIO
“Lo demás es ruido”, de Nicolás Pereda (México / Alemanha / Canadá)
MELHOR LONGA-METRAGEM
“Vade Retro”, de Antonin Peretjatko (França)
MELHOR CURTA-METRAGEM
“Are We Monsters?”, de Thunska Pansittivorakul (Tailândia)
MELHOR DIREÇÃO
Teodora Ana Mihai, por “Heysel 85” (Bélgica / Países Baixos / Alemanha)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“Tourists”, de Mária Kralovi (Eslováquia / França / República Tcheca)
MELHOR ATUAÇÃO
Jean-Christophe Folly, por “Gavagai”, de Ulrich Köhler (Alemanha / França)
MENÇÕES ESPECIAIS
Ex aequo aos curtas-metragens “A la dure”, de Pascale Bodet (França), e “Lo que dura la noche”, de Rodrigo Alonso Kahlo (México / Espanha)
A Tamara Leschner por sua atuação em “Sí, cambio”, de Juan Morgenfeld (Argentina)
Ao elenco de “Phantoms of July”, de Julian Radlmaier (Alemanha)