Queridinhos de um BAFICI inspirado
Dramédia à romena, comédia brasileira, terror do Cazaquistão, uma animação húngara com bonequinhos: diversidade é o que não faltou aos títulos mais badalados do festival argentino
Dramédia à romena, comédia brasileira, terror do Cazaquistão, uma animação húngara com bonequinhos: diversidade é o que não faltou aos títulos mais badalados do festival argentino
Caberá a uma produção irlandesa com o Homem-Formiga da Marvel, (o genial) Paul Rudd, de "Anaconda", encerrar o BAFICI 2026: "Power Ballad", de John Carney. Em seu roteiro, o músico Rick (Rudd), ex-cantor de casamentos, conhece o falecido astro de boy band Danny (Nick Jonas) durante um show e os dois se unem profissionalmente, ensejando uma trajetória sucessos. Até essa trama bater na tela, os 327 títulos que integram o festival terão - todos - sido exibidos por uma vez que seja, na capital argentina. Confira a seguir os filmes que alcançaram melhor boca a boca na maratona cinéfila de Buenos Aires.
SORELLA DI CLAUSURA, de Ivana Mladenovic (Romênia): O mais divertido dos concorrentes ao Leopardo de Ouro de Locarno, em 2025, esta dramédia sobre a arte estagnações passou feito um trator pela América do Sul via BAFICI. O desempenho de Katia Pascariu (de "Má Sorte No Sexo Ou Pornô Acidental") é impagável. Katia interpreta Stela, azarada profissional, que é incapaz de manter um emprego estável. Ela se apaixona por um famoso músico balcânico depois de vê-lo na televisão. Essa paixão, transformada em obsessão, começa a dominar sua vida e agora ela está decidida a conhecê-lo. Vera, suposta amante do músico, promete a Stela ajudá-la a encontrar seu ídolo e, mais ainda, tirá-la de sua vida rural marcada pela pobreza. Seus dois mundos colidem quando Vera leva Stela para Bucareste, onde dirige uma empresa que vende produtos eróticos. Vê-se a bagunça em que isso vai dar.
NADIE LADRA ("Ningú borda"), de Júlia Coldwell Serra (Espanha): Um suspense arrebatador que se desenha a partir da atuação de Laia Cabrera Vicens. Sua personagem, Candela, atropela acidentalmente o cachorro do sobrinho e decide não contar nada. Ela inventa uma história sobre uma peregrinação canina e o convida para ir buscá-lo. Enquanto seguem o rastro do bicho, a mentira começa a consumi-la aos poucos.
O REI DA INTERNET, de Fabrício Bittar (Brasil): Eis um potencial blockbuster nacional, que buscou se notabilizar no exterior. João Guilherme revive a saga de um adolescente se destacou como um dos maiores hackers do Brasil e integrou uma organização criminosa movida a milhões de reais até ser alvo de uma operação da Polícia Federal — tudo isso antes de completar 17 anos.
UM FILME DE MEDO ("Uma Película de Miedo"), de Sergio Oksman (Espanha/ Portugal): O vencedor da competição estrangeira do É Tudo Verdade 2026 brilha com a cinefilia para abrir uma reflexão sobre memória. Durante as férias de verão, um documentarista e seu filho de doze anos se hospedam em um hotel abandonado em Lisboa - um hotel vazio como o do filme "O Iluminado", com Jack Nicholson. O menino é assombrado por histórias de monstros e fantasmas, mas, durante a estadia, outros fantasmas surgem: o do primeiro assassino em série português e o de homens que, de repente, enlouquecem e abandonam suas famílias.
SICKO ("Auru"), de Aitore Zholdaskali (Cazaquistão): Neste thriller de roer unhas, a dupla Azamat (Ayan Utepbergen) e Tanshoplan (Dilnaz Kurmangali), acossados por dívidas, inventam uma doença terminal para lançar uma campanha de arrecadação de fundos nas redes sociais. O que começa como um plano desesperado logo se converte numa mentira difícil de controlar, gerando uma espiral de morte.
FIRE IN MY POCKET ("Lángbogár a Zsebemben"), de Janka Feiner (Hungria): Delicadíssima incursão do cinema húngaro no universo infantojuvenil, esta narrativa sobre amadurecimento manipula bonecos para gerar encanto. Um menino, cansado de ajudar a montar uma cama, procura algo mais emocionante. Uma criatura de fogo o atrai para um mundo mágico de cogumelos, onde tudo é possível, sobretudo pelo fato de a aventura começar longe do alcance de seu pai.
I AM CURIOUS JOHNNY, de Julien Temple (Reino Unido): O maior documentarista de música do planeta tem presença cativa no BAFICI. Volta agora com um retrato de Johnny Pigozzi, herdeiro, fotógrafo e colecionador excêntrico, que se constrói por meio de imagens de arquivo e relatos acerca de seu universo de luxo, com amizades famosas (Mick Jagger, por exemplo).