Uma busca implacável no coração da floresta
Elenco de 'Rio de Sangue' conta ao Correio da Manhã como foi a experiência de gravar um thriller na Amazônia
Elenco de 'Rio de Sangue' conta ao Correio da Manhã como foi a experiência de gravar um thriller na Amazônia
Em cartaz nos cinemas brasileiros, "Rio de Sangue" conta uma história policial sobre o impacto do garimpo na região Norte do país. A trama acompanha Patrícia (Giovanna Antonelli), uma policial que se envolve em uma operação frustrada e acaba sendo afastada do cargo. Ela busca, então, rever a filha (Alice Weggman), que trabalha como médica em terras indígenas. Porém, a jovem acaba sendo raptada por garimpeiros, fazendo com que Patrícia embarque em uma missão para resgatar a filha e desmontar o garimpo na região. A convite da Star Original Productions, o Correio da Manhã conversou com as duas atrizes e com Felipe Simas, que vive o vilão da trama, sobre este longa com aquele jeitão de "Busca Implacável" dos trópicos.
Para Giovanna Antonelli, inclusive, a oportunidade de interpretar esse papel que costuma ser atribuído a homens foi um dos pontos que mais a atraiu para o projeto. "Espero, sim, que esse papel possa abrir mais oportunidades para protagonistas femininas. Na verdade, o que me fez aceitar o papel foi essa possibilidade da gente poder trazer uma trama neste formato - o thriller, que é um dos meus preferidos - e estar nesse papéis com as protagonistas femininas, porque geralmente as mulheres são vítimas nesses filmes. Então, a gente tá ali liderando, sobrevivendo. Tem uma história de amor de mãe e filha nesse pano de fundo que é sensacional, sem falar no deslumbro da floresta amazônica, e com esse grande elenco aí, que realmente fez toda a diferença", explica, destacando a força do coletivo neste trabalho. "Esse filme é um filme de elenco e de equipe", arremata.
"Existe um propósito por trás do filme. Estamos falando de mulheres que são vítimas dessa violência, mas a gente também está denunciando o garimpo ilegal, a exploração da floresta amazônica. E tudo isso faz o filme ganhar um propósito muito importante, que a gente precisa falar e denunciar aqui no Brasil", disse Alice Weggman.
"O povo indígena e a floresta viraram um grande observador da nossa história. Eu acho que eles contam a nossa história. A gente vira antagonista da trama diante da grandiosidade desse olhar do povo indígena e da floresta para os nossos personagens. É muito bonita essa forma com que o Gustavo [Bonafé] dirigiu as cenas e o formato, né? Foi uma escolha. Então, acho muito bonito como isso se deu na tela, como isso contou a história da própria natureza também. Sem querer dar spoiler do fim do filme, mas termina quase com um pedido de socorro materno, o que é lindo e a gente não sabia, né? Isso foi foi proposto depois, então é realmente de extrema importância esse filme, que é apartidário e fala sobre o coração do mundo, que é nossa natureza muito bem cuidada pelos indígenas. E é com esse contraponto do coração de mãe... Foi uma surpresa para a gente também quando nós vimos o resultado", explica Giovanna Antonelli.
Grande antagonista da história, Felipe Simas interpreta um dos garimpeiros que não vai poupar esforços para manter os negócios funcionando. Para o ator, interpretar vilões traz algo de diferente. "O ator tem de tudo dentro de si, né? Então, fazer um vilão, apesar de todo medo que a gente propõe, todo perigo, é muito divertido. É muito divertido porque esse 'desejo' pelo mal também está em nós, o que é muito perigoso. Então, quando você consegue colocar isso para fora em um filme e olha para para sua parceira de cena e depois abraça e agradece, é muito maneiro. É muito legal porque revela um pouco do coração humano. Somos um pouco de todas as personagens que interpretamos", disse.
No coração da floresta
A floresta amazônica é mais do que um grande cenário, é uma personagem do filme. Gravado em Santarém e Alter do Chão, no Pará, o longa contou com grandes tomadas que surpreenderam até mesmo o próprio elenco. "Ver a floresta de cima é muito impressionante. Tem muito plano de drone no filme, que mostra a floresta vista de cima, filmando o rio de cima. E a gente que estava lá já entendia essa coisa da dimensão, da gente ser muito pequenininho perto de tudo aquilo. Mas ver na telona essas imagens, eu acho que deu um impacto também, acho que só acrescentou nesse impacto que a gente teve enquanto estava lá", contou Alice Weggman.
"Eu já tinha filmado na Amazônia algumas vezes, mas sempre é impactante. É uma coisa inacreditável. Olhando aquelas copas daquelas árvores, você vê como você realmente não é nada. A gente é um grão de areia nessa imensidão, sabe? Então, é sempre bom você você estar vivendo isso, porque nos faz perceber qual o nosso lugar no planeta", completou Giovanna Antonelli, que também falou sobre gravar nesses cenários tão complexos.
"Gravar esse filme foi uma experiência emocional e que só aconteceu por conta da equipe, porque todo dia a gente tinha que lidar com alguma coisa nova. Era chuva, era rio que enchia, que esvazia, era a natureza, sabe? Não era algo programado. Você não apertava um botão ali e parava. E a gente estava sujeito ao calor, ao suor, então assim, acho que a caracterização foi muito realista no nosso filme. A gente tá ali em tempo real, com som real, com cansaço real e, claro, que por causa do lugar que a gente estava filmando, desse cenário tão potente, que trouxe trouxe essa verdade para os personagens. Imagina fazer isso num estúdio? Não ia ter a menor graça. Não ia ter a menor graça. Então, estar ali vivenciando 50 dias na floresta, na selva, com a equipe... Viajar com a equipe já une todo mundo. Já dá um outro rolé para o trabalho assim. É, você vira uma família mesmo", concluiu Giovanna Antonelli.