Aritmética do lucro na equação da Academia

Favoritos ao Oscar de Melhor Filme deste ano nem de longe arranham a marca do bilhão, que só dois vencedores da categoria ultrapassaram em toda a História

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

'Titanic' é o ganhador do Oscar de Melhor Filme que obteve o maior faturamento da história: US$ 2,2 bilhões

 

Favoritos ao Oscar de Melhor Filme deste ano nem de longe arranham a marca do bilhão, que só dois vencedores da categoria ultrapassaram em toda a História

Embora tenham enchido os cofres da Warner Bros. de dólares, os dois longas-metragens com mais fôlego para conquistar o Oscar de Melhor Filme, neste domingo, "Pecadores" e "Uma Batalha Após A Outra", não passaram a barreira do bilhão (de faturamento), hoje tão esperada pelo mercado exibidor. O longa de Ryan Coogler custou US$ 100 milhões e faturou US$ 370 milhões. O de Paul Thomas Anderson custou cerca de US$ 130 milhões e arranhou US$ 210 milhões, compensando-se mais e melhor com o tanto de consagração que recebeu. Em 98 anos de História, o ganhador da láurea de maior relevo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que mais faturou foi "Titanic" (1997), de James Cameron, com US$ 2,2 bilhões. Na sequência de arrecadação, o segundo lugar ficou com "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), de Peter Jackson, com US$ 1,1 bilhão. O terceiro do pódio é o único representante desta década (pós-pandemia), "Oppenheimer" (2023), de Christopher Nolan, que rendeu US$ 975,7 milhões.

Já teve ganhador dessa categoria que fez História por simbolismos políticos, mas não reverteu o prestígio em lucratividade. É o caso de "Guerra Ao Terror" ("The Hurt Locker"), o primeiro filme a render um Oscar de Melhor Direção a uma mulher (no caso Kathryn Bigelow). Custou US$ 15 milhões e faturou US$ 49 milhões, entre 2009 e 2010. Pagou-se, lucrou, mas nem de perto arranhou a marca de sucessos de outrora como "Forrest Gump", quarto colocado na lista dos vencedores da estatueta de Melhor Filme, com US$ 680 milhões. O quinto posto é de "Gladiador", com US$ 460,5 milhões.

Entre os representantes da Hollywood clássica, anteriores à década de 1950, o único vencedor do troféu de Melhor Filme a entrar entre as maiores acumulações na venda de ingresso é "...E O Vento Levou" (1939), com US$ 402 milhões. Já o ganhador recente que menos fez dinheiro foi "CODA", aqui chamado "No Ritmo do Coração", que entrou nas telas na pandemia. Somou só US$ 1,9 milhão, uma vez que sua carreira mais longeva se fez no streaming, na Prime Video.

Das produções não anglo-americanas que foram eleitas Melhor Filme, a sul-coreana "Parasita" (2019) custou US$ 11,4 milhões e arrecadou US$ 262,5 milhões, e a francesa "O Artista" (2011) gastou US$ 15 milhões para sair do papel e contabilizou US$ 133 milhões.

"Ainda Estou Aqui", que nos rendeu o Oscar no ano passado, na categoria Melhor Filme Internacional, vendeu 5,8 milhões de entradas no Brasil e trouxe US$ 36,4 milhões para casa.