Um 'segredo' que Berlim inteira cochicha
Longa de Grace Passô é destaque na mostra Perspectives, da Berlinale
Longa de Grace Passô é destaque na mostra Perspectives, da Berlinale
Uma das atrizes de maior prestígio do teatro e do cinema brasileiro no século XXI, famosa pela trajetória nacional da peça "Vaga Carne", a também dramaturga Grace Passô se consolida num novo front, o da realização, ao se encher de elogios, no posto de cineasta, por seu trabalho em um dos filmes de maior impacto da mostra Perspectives, desta Berlinale: "Nosso Segredo".
Não há boca em solo alemão que não elogie o drama de trilha sonora estonteante (composta por Amaro Freitas) esculpido entre luto, lágrimas e lama (ligada a um surpreendente signo animal) a partir de reescrita de "Amores Surdos", texto teatral de autoria da própria Grace.
A fotografia dionisíaca de Wilssa Esser assegura um aspecto crepuscular ao enredo que mistura finitude, recomeço e perenidade. Nele, uma família que tem vivências variadas do racismo e de outros mecanismos de exclusão luta para reconstruir sua rotina após a perda recente da figura paterna. Enquanto cada um dribla a dor à sua maneira, o filho caçula guarda um mistério que transcende as bordas do realismo.
"O 'para sempre' para mim são memórias, são afetos comungados, são nossos ancestrais... os mestres que prepararam o meu mundo para o que virá. A ideia de 'para sempre' tem a ver com afeto. A morte é a vida... é 'O' assunto da vida", diz a atriz, laureada com o troféu Redentor do Festival do Rio duas vezes, por suas interpretações em "Praça Paris" (2017) e em "O Dia Que Te Conheci" (2023). "As vidas negras no nosso país são a maior prova de que o afeto e a admiração entre os integrantes de uma família é o que faz as pessoas resistirem e seguirem em frente".
