O esporte americano com 'tempero' brasileiro
PEDRO SOBREIRO
Vivendo fase gloriosa nos cinemas, a Sony Pictures Animation lança nesta quinta-feira (12) sua nova aventura animada. Produzida pelo craque da NBA, Stephen Curry, "Um Cabra Bom de Bola" chega ao Brasil com uma dublagem arretada protagonizada por um elenco nordestino que faz questão de manter seu sotaque. Na trama, Zeca Brito é um bode sonhador que recebe uma chance de ouro de jogar profissionalmente o "Berrobol", o basquete do mundo dos bichos. Agora, ele precisará se adaptar ao time para não ser engolido pelos adversários. Em conversa com o Correio da Manhã, o dublador Rafael Sadovski falou um pouco mais sobre dar vida e esse protagonista tão diferente dos padrões animados.
Até onde você iria para realizar um sonho? É dessa premissa que surge a história de "Um Cabra Bom De Bola", novo filme da Sony Animation Pictures que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12). Com produção de Stephen Curry, o craque do Golden State Warriors, da NBA, o filme é carregado de referências ao basquetebol americano, mas ganhou um charme a mais na versão nacional ao incorporar o sotaque nordestino a sua dublagem.
A situação começou com um trocadilho da tradução do título. No original, o filme se chama "Goat", um acrônimo para a expressão "Greatest Of All Time", algo como "O Melhor de Todos", usado para se referir aos craques geracionais do esporte. Mas a palavra também significa "Bode" em inglês. Daí, para ajustar o termo ao vocabulário nacional - já que ninguém assistiria uma animação chamada "Bode" -, a equipe adotou a expressão nordestina "Cabra", rendendo mais uma série de trocadilhos no filme, como o nome do protagonista, por exemplo, que mudou de Will para Zeca Brito. Diante das traduções e do cenário atual do cinema brasileiro estar sendo representado nos principais palcos do mundo com "O Agente Secreto" e a ode ao legado cultural pernambucano, foi escolhido um dublador nordestino para dar vida ao Zeca na versão brasileira.
Nascido em Mossoró, Rafael Sadovski conversou com o Correio da Manhã na pré-estreia do filme, realizada no Rio no último domingo (8). Para ele, a oportunidade de dublar um filme sem precisar mascarar seu sotaque é algo incrível.
"O filme tem essa questão da representatividade, que acontece através do sotaque nordestino, né? Porque eu sou de Mossoró, do Rio Grande do Norte. Então, além de estar sendo a minha primeira oportunidade de mostrar meu trabalho dando voz a um protagonista, trazer esse meu lado, essas minhas raízes do Nordeste, é muito legal. É um presente, cara. É um desafio, mas é muito gostoso", disse.
Por conta do histórico da dublagem no país, que nasceu como herança das radionovelas, convencionou-se o sotaque do Sudeste nas principais versões nacionais de longas estrangeiros. Com o passar do tempo e a presença dos maiores estúdios nas capitais, foram os sotaques de Rio e São Paulo que assumiram as rédeas da dublagem no país. Então, ter um protagonista com sotaque de Mossoró é algo muito novo. Segundo Sadovski, é um motivo de orgulho.
"Cara, quando saiu o primeiro trailer, que veio aquela repercussão dos sotaques, a minha família toda ficou muito feliz, sabe? Porque quem mora aqui no Rio são meus pais e eu, mas o restante da família, avó, tio, tia, primo, estão todos no Nordeste, todos de Mossoró, Natal. Então, eles ficaram doidos quando ouviram. Eu também fiquei, né? Então, acho que é algo que vai mexer muito com a identificação na criançada, que vai poder se ouvir no cinema, muitas delas pela primeira vez", comentou Rafael.
Além do protagonista, há mais dois dubladores nordestinos que integram o hall de personagens.
"O filme é muito divertido, muito colorido e essa regionalização deixa a coisa mais colorida, ainda mais divertida para todo mundo, né? E a gente adaptou também as gírias. Eu propus muitas coisas. A Andréa [Murucci], nossa diretora de dublagem, também propôs muitas coisas. Foi um trabalho de troca muito legal. E além de mim, tem a Gilza [Melo], que faz a 'mainha' do Zeca, também a nordestina. O Enzo [Gabriel], que faz o Zequinha pequenininho, também é nordestino. Então, cara, é um filme recheado de emoções", concluiu o dublador, que incentivou a molecada a ver o filme no cinema.
Homenagem
Por ser um filme inspirado nas vivências de Curry, um jogador que revolucionou a forma como o basquete é jogado no mundo, a versão nacional não poderia deixar de homenagear o esporte que também é muito popular no Brasil.
Por conta disso, Hortência, a Rainha do Basquete, foi convidada para integrar o elenco do filme, fazendo uma participação especial como a Ursa Polar Propp. É uma aparição bem curtinha, mas serve como uma bela homenagem.
Além dela, o apresentador Fred Bruno, fanático por basquete, também dá voz a um personagem. Brincando com seu trabalho de apresentador do Globo Esporte de São Paulo, Fred viv o morcego Tico, um dos narradores de Berrobol. Ao seu lado está Joca, um comentarista vivido por Jukanalha, influenciador digital do mundo esportivo.
E o filme?
Assistimos o filme em primeira mão e ele traz a excelência estética que a Sony imprimiu nas animações mundiais nesta década. Se a trama é simples, feita para entreter e inspirar a molecadinha a não deixar de sonhar, o trabalho artístico de cenários é bastante complexo, coisa de gente grande.
Trabalhando com uma paleta de cores composta por verde, roxo e azul, cada cenário, cada arena e cada ambiente que compõe as cenas são de cair o queixo. Ao idealizar um mundo de animais antropomórficos, a equipe criativa conseguiu adaptar as moradias e construções humanas para esse ambiente, criando um filme de muita personalidade estética. A trilha musical é outro show à parte, mesclando hits antigos com músicas compostas para o filme, usando e abusando do Hip-Hop e R&B.
É um longa que foi feito para as crianças, mas que certamente conseguirá fisgar os adultos, principalmente os apaixonados por animações.
