Tainá, a pequena heroína das matas, mira nos corações natalinos

Em pleno 25 de dezembro, a personagem imortalizada em trilogia de filmes iniciada há 25 anos regressa à telona, agora em longa de animação, com Fafá de Belém no elenco de vozes.

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

Uma indígena ali entre os 5, 6 aninhos pode flechar o coração do cinema brasileiro neste Natal, levando o universo de Tainá para a animação em metragem longa

Em pleno 25 de dezembro, a personagem imortalizada em trilogia de filmes iniciada há 25 anos regressa à telona, agora em longa de animação, com Fafá de Belém no elenco de vozes.

 

Danadinha, Tainá não dá a menor pelota para a concorrência com a Disney, em "Zootopia 2", ou para o novo longa-metragem do Bob Esponja, nem se intimida com o avanço de produções asiáticas (como o desenho japonês "Scarlet") e europeias (caso de "A Pequena Amélie"), que buscam espaço - e sucesso - nessa temporada de férias. Tom & Jerry estão na boca de voltar em cartaz, e ela não dá nem tchum para eles. Há um quarto de século, essa indígena de dentes de leite flechou o coração do público brasileiro, sob o carisma da então menina Eunice Baía, hoje adulta. Agora, no Natal, em pleno 25 de dezembro, essa defensora da floresta promete cobrar seu lugar de honra no imaginário da cinefilia do país. Retorna às telonas em forma de animação e promete lotar salas.

Neste ano em que "Safo", de Rosana Urbes, buscou prêmio para nosso audiovisual nas telas do Festival de Annecy (Meca animada do planeta, situada na França), um punhado de longas com CEP em nossos estados encontrou espaço em circuito, ainda que a duras penas. São eles: "Abá E Sua Banda", de Humberto Avelar; "Nosso Louco Amor", de Nelson Botter Jr.; "Nimuendajú", de Tania Anaya; e "Eu E Meu Avô Nihonjim", de Célia Catunda.

Quarta-feira passada, a Berlinale anunciou a escalação de "Papaya", de Priscilla Kellen, para sua programação de 2026, o que abre espaço para o setor de animadoras/es num dos maiores festivais do mundo, em fevereiro. Nesse rol de conquistas, "Tainá e os Guardiões da Amazônia - Em Busca da Flecha Azul" ajuda a desbravar a atenção do público pagante em meio à temporada de festas de fim de ano. "Tainá está em cartaz há 25 anos, desde o prêmio de melhor filme no Festival do Rio de 2000", celebra Virginia Limberger, produtora do longa animado. "Uma trilogia foi feita em live action e, desde 2019, trouxemos Tainá para o mundo da animação com a série 'Tainá e os Guardiões da Amazônia', que já tem duas temporadas no ar, com 44 episódios voltados às crianças do pré-escolar. O filme que estamos lançando no dia 25 de dezembro conta a jornada de nossa personagem em se tornar a guardiã e como ela conheceu seus amigos".

Encontrar Tainá novamente nas telas grandes do cinema cumpre uma vocação da heroína das matas, já que ela foi criada para os cinemas. Ali nas raias da pandemia, ela ganhou uma série de animação que só no canal do Youtube já teve mais de 20 milhões de visualizações. Cravou ainda um curta-metragem, livros e histórias em quadrinhos.

"Foi uma árdua jornada", desabafa Virginia. "São muitos os desafios em produzir filmes para a infância. Mas no final sempre vale a pena! Levar a mensagem de cuidado com a Natureza e com os outros seres, em toda sua diversidade, para as crianças já se tornou uma missão para nós, da produção. Tenho orgulho em poder dar continuidade ao legado do (produtor) Pedro Rovai, que criou essa incrível personagem, a única heroína genuinamente representante dos nossos povos originários".

Construída na voz da atriz paraense Juliana Nascimento, Tainá agora inicia seu treinamento para se tornar Guardiã da Amazônia. Entre as figuras que cruzam seu caminho está Mestra Aí, a bicho-preguiça ancestral interpretada por Fafá de Belém, que se torna sua orientadora. Também aparecem Catu (Caio Guarnieri), um macaquinho encrenqueiro; Pepe (Yuri Chesman), o sábio urubu-rei; e a charmosa ouricinha Suri (Laura Chasseraux). São companheiros de uma batalha ecológica, que desempenham papel central na jornada da protagonista, com roteiro de Gustavo Colombo, coautor do argumento com Rafael Campos Rocha.

Divulgação - Eunice Baía em cena do primeiro longa da série lançada há 25 anos

"Vi o primeiro filme da Tainá ainda criança, com a minha escola, num cinema de Canoas, no Rio Grande do Sul, e carrego essa lembrança até hoje, pois ela virou um símbolo da cultura pop", diz o animador gaúcho Jordan Nugem, que divide a direção de "Em Busca da Flecha Azul" com Alê Camargo. "Estudamos muito o que foi feito em live action com a Tainá, cientes do respeito e do carinho que o público tem pelas narrativas de aventura. O maior desafio de se manter a regularidade na produção de longas animados no Brasil, sobretudo sem fontes de apoio mais específicas para o setor, é o custo e a duração. Em geral, um filme desses consome de quatro a cinco anos de trabalho. O nosso, acelerado, pelo fato de já existir uma série, levou três anos".

Antes de chegar ao circuito comercial, a produção de Nugem e Alê teve sessões especiais na COP 30, na Casa BNDES, em Belém, e passou pelo Festival do Rio. A produção é da Sincrocine Produções, em coprodução com Tietê Produções, Hype Animation, Brisa Filmes, Claro e RioFilme (órgão da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio); codistribuição da RioFilme e distribuição da Paris Filmes; com patrocínio do BNDES e da Fujifilm e apoio da Yellow Pós.

Na trama que essa turma tirou do papel, os Guardiões da Amazônia estão sempre prontos a ajudar os animais, proteger e cuidar da floresta. Tão diferentes uns dos outros, eles terão que aprender a vencer as diferenças e a valorizar a amizade para formar uma equipe e cumprir a missão: encontrar a Flecha Azul e impedir que um grande mal - o terrível Jurupari - queime a floresta e destrua toda a Amazônia. Ao longo de 78 minutos, esse enredo é uma garantia de emoção, embalado em canções originais de Cezar Brandão, na trilha sonora de Ed Cortês e Felipe Sciotti.

Divulgação - Nova versão de Tainá, agora um longa-animado, pode assegurar ao Brasil salas cheias neste fim de ano

Fora o regresso de Tainá, há uma fila de longas animados finalizados recentemente a serem lançados comercialmente em breve, entre os quais "Cordélicos", de Ale McHaddo; "Glória E Liberdade", de Letícia Simões; "No Coração das Trevas", que rendeu a Rogério Nunes o troféu Redentor de Melhor Direção no Festival do Rio; e "Revoada - Versão Steampunk", de Ducca Rios, que foi sensação na Mostra de São Paulo.