Tesouros cinéfilos da Ilha em cartaz no Rio

Cults do audiovisual cubanos serão exibidos até 3 de agosto em mostra na Caixa Cultural

Por Rodrigo Fonseca | Especial para o Correio da Manhã

Memórias do Subdesenvolvimento

Sintomas poéticos de uma época em que revoluções eram pontos de partida para a construção de um Amanhã justo, "Memórias do Subdesenvolvimento" (1968), "De Certa Maneira" (1974) e "Morango e Chocolate" (1995) servirão de máquina do tempo à cinefilia carioca que quiser entender como Cuba se sonhou uma nação forte, e viva, pelos filtros libertários do audiovisual.

Divulgação - Morango e Chocplate

Tais cults integram a mostra "Filmes Cubanos Restaurados", já em curso, no Centro do Rio, na Caixa Cultural, graças ao empenho curatorial de um jovem dínamo da não ficção e sua mestra. Ele, Gregory Baltz, está a filmar um .doc sobre ela, Silvia Oroz, professora e autora de ensaios seminais sobre o melodrama hispânico, que nasceu da Argentina e saiu de lá para escapar das repressões ditatoriais dos portenhos. Juntos, fizeram uma retrospectiva seminal. Até o dia 3 de agosto, serão exibidos pela Caixa 15 filmes, divididos entre 8 longas-metragens e 7 curta.

Divulgação - De Certa Maneira

Diretor de .docs elogiados pela crítica como "Carta Para Glauber" (2022), "As Constituintes de 88" (2019) e "Ouro Para o Bem do Brasil" (2020), Baltz é visto hoje como uma das principais promessas de invenção no documentário brasileiro, por seu interesse pelo legado político do país dos anos 1960 até hoje. "O cinema é o meu meio de comunicação para falar de temas que me interessam como artista. Eu não sou historiador, sociólogo ou antropólogo e nem quero estar nesse lugar, mas quero poder contribuir de alguma forma para pensar a nação", diz o cineasta.