Novos holofotes para Marcelo Rubens Paiva
No embalo do sucesso de 'Ainda Estou Aqui', o longa 'Feliz Ano Velho', baseado na prosa do escritor, volta aos cinemas com cópias restauradas
Inventário audiovisual de cicatrizes morais e afetivas da juventude que adolesceu e ficou adulta em plena ditadura, "Feliz Ano Velho" (1988), dirigido por Roberto Gervitz, volta às telas nesta quinta-feira, remasterizado e restaurado, num momento de apogeu do escritor que o inspirou: Marcelo Rubens Paiva.
Laureado com um balde de Kikitos no Festival de Gramado, o filme tem como pavimento o livro homônimo publicado em 1982 pelo romancista, que hoje ganha novos holofotes graças ao êxito - nas livrarias e sobretudo nas telas - de "Ainda Estou Aqui". O maior sucesso brasileiro de bilheteria do ano - premiado com a láurea de melhor roteiro no Festival de Veneza e cotado para o Oscar - nasceu das recordações literárias de Marcelo sobre a luta de sua mãe, a advogada e ativista Eunice Paiva (1932-2018).
Numa das sequências do blockbuster de Walter Salles, Marcelo (vivido por Antonio Saboia) aparece cadeirante e assina um exemplar de "Feliz Ano Velho" para uma leitora. Nesse marco da prosa nacional, ele espelha o acidente que o manteve numa cadeira de rodas. É desse relato que Gervitz partiu para rodar o drama geracional que celebrizou seu nome.
Seu protagonista, Mário (Marcos Breda), de 17 anos, mergulha num lago, bate a cabeça e fica tetraplégico. A paralisia o coloca diante da imobilidade existencial. Seu medo de seguir agrilhoa sua cabeça num passado em que o Brasil foi governado por generais de farda verde oliva. Aparentemente abandonado pelo próprio corpo, o rapaz tenta recompor os cacos e aprende a seguir adiante.
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