Um fenômeno espanhol
'Sociedade da Neve' pede passagem como melhor filme estrangeiro no Oscar 2024
Por Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Desde a conquista do prêmio de júri popular do Festival de San Sebastián, em sua Espanha natal, em setembro, "A Sociedade da Neve" pede passagem à indústria audiovisual como um potencial concorrente ao Oscar, o que se referendou com a indicação deste Netflix Original pro Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa. Ganhou ainda o European Film Aaward de Efeitos Visuais e Maquiagem Visagismo, e concorre a um mar de Goyas (13), o troféu mais importante do cinema espanhol.
São reconhecimentos que coroam a dimensão de espetáculo do cinema de J. A. Bayona, que, lá atrás, em 2007, despontou como artífice do terror no cult "O Orfanato". Seu longa mais recente estreou na semana passada na Netflix e virou fenômeno. Só se fala dele nas redes sociais.
Realizador de "O Impossível" (2012), sobre tsunamis na Tailândia, e da (horrenda) série Amazon Prime "O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder" (2022), Bayona foi ovacionado pela forma tecnicamente exuberante (e assustadora) como revive um episódio desastroso para a aviação civil da América Latina. A trama recria a queda de um avião com a seleção de rúgbi do Uruguai na Cordilheira dos Andes em 1972. É difícil não pular da poltrona com a sequência do choque da aeronave uruguaia com os Andes e é mais difícil ainda não roer todas as unhas diante das avalanches que acossam os sobreviventes do voo. Bayona conversa com clássicos da telona como "Inferno na Torre" (1974) ao reviver o calvário dos atletas e outros passageiros.
