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É tempo de seleção

Pluft, o Fantasminha | Foto: Divulgação

Por Rodrigo Fonseca

Especial para o Correio da Manhã

Tem filme infantil com fantasminha camarada; tem o regresso da mais prestigiada cineasta do país dos anos 1970 pra cá (Ana Carolina); tem luta antirracista; tem até thriller de ação à la Rambo. Tem tudo isso pois há uma seleção de 11 longas-metragens brasileiros em cartaz, na ocupação de tela mais plural do país desde o início da pandemia. Confira a seguir o que essas produções têm de imperdível.

SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS, de Fábio Leal: Uma aula de montagem! Exibido no Olhar de Cinema de Curitiba, este painel da vida em meio à covid-19 recebeu o Prêmio Helena Ignez, no Festival de Tiradentes de 2022. Sua trama resgata personagens do último curta metragem, de seu realizador, "Reforma", e acompanha a rotina de Chico, interpretado também por Leal. Sozinho em seu apartamento, ele vê os dias passarem, com marasmo e ansiedade em um momento de recrudescimento da pandemia. Em sua solidão, é cada vez mais tomado pelo desejo do contato humano, e, em especial, do sexo. Disso, nascem formas alternativas de reencontros.

PLUFT, O FANTASMINHA, de Rosane Svartman: Releitura cheia de efeitos visuais da peça de Maria Clara Machado, narrando o encontro da menina Maribel (Lola Belli) com um espectro de coração bom, encarnado em Nicolas Cruz. Juliano Cazarré bota o filme no bolso no papel do Pirata da Perna de Pau. O roteiro é assinado por Cacá Mourthé e José Lavigne.

MARTE UM, de Gabriel Martins: Aplaudido em Sundance e coroado com quatro prêmios em Gramado, entre eles o de Melhor Roteiro, é um exemplar do novíssimo cinema mineiro, feito pela produtora Filmes de Plástico. É a cartografia de uma família que se transforma após a eleição presidencial de 2018, tendo como voz central um menino que sonha com as estrelas.

PAIXÕES RECORRENTES, de Ana Carolina: Sensação do Festival de Roterdã, em janeiro, este roteiro magistral recria o dia de 1939 que antecede o início da II Guerra Mundial a partir do encontro de um grupo de pessoas numa ilha paradisíaca. Luiz Octavio Moraes é o destaque do elenco, no papel de um produtor teatral em xeque na carreira.

O DEBATE, de Caio Blat: Uma reinvenção do uso da palavra nas telas. O casal de jornalistas Paula (Debora Bloch) e Marcos (Paulo Betti), que acabou de se separar depois de 20 anos juntos, discute como deve conduzir a edição dos melhores momentos de um debate presidencial que o canal vai exibir. Essa edição pode interferir na escolha de centenas de milhares de eleitores indecisos. Paula (Débora Bloch) e Marcos (Pulo Betti) têm opiniões divergentes, mas continuam amigos e parceiros de trabalho. O filme invade a intimidade deles para espelhar as fragilidades políticas do Brasil.

ASSALTO NA PAULISTA, de Flávio Frederico: Um thriller tenso do documentarista que nos deu uma ficção primorosa em 2010 ("Boca") e volta aqui inspirado no crime considerado um dos maiores assaltos a bancos privados no Brasil. Ele se reporta ao assalto à agência 0262 do Banco Itaú, na Avenida Paulista, centro financeiro do país. Num sábado à noite, sem ser incomodada, uma quadrilha passou quase dez horas dentro da agência e roubou 170 cofres particulares localizados no subsolo. Em apenas três deles, obteve cerca de R$ 10 milhões em joias e dinheiro. Mas há um segredo por trás daqueles bens não declarados oficialmente.

O PALESTRANTE, de Marcelo Antunez: A direção de arte primorosa de Dany Espinelli é um dos chamarizes desta comédia que aposta no carisma de Fábio Porchat e sua habilidade injetar surpresa na mais corriqueira das tiradas. Ele vive Guilherme (Fábio Porchat), um contador sem perspectivas que acaba de ser demitido e abandonado pela noiva. Ao viajar pro Rio de Janeiro com o objetivo de resolver pendências da empresa que o demitiu, ele assume o lugar de um tal Marcelo, um palestrante motivacional profissional. Nesse novo papel, ele precisa animar os funcionários em crise de uma empresa.

PAPAI É POP, de Caito Ortiz: Lázaro Ramos emprega todo o seu vasto ferramental cômico para dar humanidade a um pai de primeira viagem que precisa passar por cima de seu egoísmo para educar um bebê e aprender a ser parceiro de sua companheira, vivida por Paola Oliveira. Há uma impecável participação de Elisa Lucinda em cena.

45 DO SEGUNDO TEMPO, de Luiz Villaça: Um dos filmes nacionais mais comoventes do ano, que arranca de Cássio Gabus Mendes uma atuação devastadora. Ele é o mais bem-sucedido de um trio de ex-colegas de escola que se reúnem quatro décadas depois da inauguração de uma linha de metrô de São Paulo. Cássio é o engravatado rico; Ary França é um padre entregue às tentações; e Tony Ramos (avassalador) é um dono de restaurante falido.

CANO SERRADO, de Erik de Castro: Último trabalho do ator Rubens Caribé, morto em julho. Ele vive um policial corrupto do Distrito Federal que passa por cima dos códigos da Lei em busca de uma vingança e da afirmação de seu poder.

MEU ÁLBUM DE AMORES, de Rafael Gomes: Uma prova (a mais) do talento GG de Gabriel Leone, que encarna um sujeito em crise afetiva às voltas com a descoberta de um pai biológico que desconhecia.