Uma Sapucaí de muitas emoções e homenagens
Última noite de emoções reuniu Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro no Sambódromo
A Marquês de Sapucaí encerrou os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 com uma última noite dedicada a diferentes formas de homenagem. O ano foi marcado por lindas e emocionantes homenagens, com enredos que transitaram entre a música, a religiosidade e a história do carnaval.
A Tuiuti abriu a noite com um enredo baseado em Ifá, sistema religioso de origem africana, apresentando fundamentos da tradição, seus oráculos e sua presença na diáspora africana. A narrativa abordou a transmissão de saberes e a permanência dessas práticas ao longo do tempo.
Na sequência, a Vila Isabel levou à avenida um tributo a Heitor dos Prazeres, apresentando sua trajetória como compositor, pintor e um dos nomes ligados à consolidação do samba urbano carioca. O desfile percorreu diferentes momentos da vida do artista e sua inserção na cultura popular. Muitas cores e formas pela Sapucaí.
A Grande Rio apresentou um enredo sobre o movimento manguebeat, surgido em Recife na década de 1990, destacando a mistura de ritmos, a valorização da cultura local e o diálogo com questões sociais e urbanas. A escola levou para a avenida referências à cena cultural pernambucana e aos artistas que impulsionaram o movimento.
Encerrando os desfiles, o Salgueiro homenageou a carnavalesca Rosa Magalhães, em um desfile que fechou com chave de ouro e se transformou em uma grande procissão dedicada ao legado da artista. A apresentação reuniu elementos visuais inspirados em diferentes trabalhos assinados por Rosa, além de referências à construção estética do carnaval ao longo das últimas décadas.
Legados pela Avenida
Na segunda-feira, passaram pela Sapucaí a Mocidade Independente de Padre Miguel, a Beija-Flor de Nilópolis, a Unidos do Viradouro e a Unidos da Tijuca, com enredos voltados a personalidades e manifestações culturais brasileiras.
A Mocidade apresentou um enredo sobre a cantora Rita Lee, abordando sua trajetória na música brasileira, sua relação com o rock e sua influência cultural. A narrativa percorreu momentos da carreira da artista e sua inserção no cenário musical do país.
A Beija-Flor levou à avenida o Bembé do Mercado, celebração de origem afro-brasileira realizada na Bahia, destacando sua importância histórica, religiosa e cultural. O desfile abordou a preservação das tradições e a força das manifestações populares.
A Viradouro apresentou um enredo dedicado ao mestre de bateria Ciça, explorando sua trajetória no carnaval e sua relação com o ritmo das escolas de samba. O homenageado participou do desfile na Comissão de Frente e, depois, em uma alegoria, ao lado da rainha Juliana Paes e dos ritmistas, emocionando todo o público presente na Sapucaí.
Já a Unidos da Tijuca levou para a avenida a história da escritora Carolina Maria de Jesus, destacando sua produção literária e seu olhar sobre a realidade social brasileira. O desfile abordou sua trajetória e a repercussão de sua obra.
No domingo, a Acadêmicos de Niterói apresentou um enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva, abordando sua trajetória política e social, desde a origem até a chegada à presidência da República, destacando momentos marcantes de sua história.
A Imperatriz Leopoldinense levou à avenida um enredo sobre Ney Matogrosso, explorando sua carreira artística, sua presença nos palcos e sua contribuição para a música brasileira. O desfile apresentou diferentes fases do artista e sua identidade estética.
A Portela desenvolveu um enredo sobre o líder religioso Custódio do Bará, destacando sua atuação espiritual e sua importância dentro das religiões de matriz africana, com referências à ancestralidade e à fé.
Encerrando a primeira noite, a Mangueira apresentou um enredo sobre Mestre Sacaca, figura ligada à cultura popular amazônica, abordando saberes tradicionais, práticas de cura e a relação com a natureza.
