Carnaval 2026 | Imperatriz Leopoldinense: Meio homem, meio bicho, tem Ney na avenida

Por Fred Soares - Especial para o Correio da Manhã

A figura imponente de Ney Matogrosso desde o tempo dos Secos & Molhados emerge no desfile da Imperatriz

A Imperatriz Leopoldinense volta à Marquês de Sapucaí em 2026 com um desfile que mistura ousadia, música e identidade cultural. Tradicional escola do bairro de Ramos, fundada em 1959, a agremiação entra na avenida neste domingo de carnaval como a segunda escola do Grupo Especial, levando para o público o enredo "Camaleônico", uma homenagem à trajetória artística e à performance singular de Ney Matogrosso, um dos ícones mais audaciosos da música popular brasileira.

Depois de conquistar a terceira colocação no último Carnaval, com "Ómi Tútu ao Olúfon - Água fresca para o senhor de Ifón", a Imperatriz chega a este ano com expectativas renovadas e a missão clara de buscar o décimo título de sua história na elite do samba carioca.

O responsável por traduzir o enredo em forma, cores e alegorias é o carnavalesco Leandro Vieira, que segue à frente do projeto pelo quarto ano consecutivo. Para ele, a escolha de Ney Matogrosso vai além da biografia musical e dialoga com a própria essência do carnaval. "Esse enredo é um convite para olhar o Brasil com os olhos de quem não teme mudar, reinventar e ser plural. Ney sempre transitou entre linguagens, gêneros e sensações, e é essa liberdade que queremos colocar na avenida", afirma o carnavalesco.

A definição do samba-enredo foi marcada por um processo intenso na quadra e terminou, novamente, em uma decisão pouco comum, mas já conhecida pela escola. Pela segunda

vez em tempos recentes, a Imperatriz optou por uma fusão de sambas concorrentes para chegar à obra final que será cantada na avenida. A última experiência semelhante havia ocorrido no Carnaval de 2024, quando a escola levou para a Sapucaí o enredo "Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda".

A presidente da escola, Cátia Drumond, destacou o envolvimento coletivo e a maturidade da decisão. "Foi um processo muito bonito e muito responsável. A gente entendeu que duas obras se complementavam e que a fusão entregaria um samba mais forte, mais conectado com o enredo e com a comunidade", explica a dirigente.

Segundo ela, a escolha reflete um modelo de construção artística que prioriza o conjunto do desfile. "A Imperatriz tem buscado soluções que fortaleçam o todo. O samba precisa servir ao enredo e à escola."

A bateria Swing da Leopoldina, comandada pelo mestre Lolo, segue como um dos pilares da escola e promete uma apresentação de grande impacto rítmico. No carro de som, o intérprete Pitty de Menezes segue à frente da função, dando continuidade ao trabalho desenvolvido nas últimas temporadas, com potência vocal, clareza na condução do samba e forte comunicação com os componentes.

No quesito mais técnico da avenida, a Imperatriz mantém o casal de mestre-sala e porta-bandeira formado por Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro. Reconhecida pela precisão, elegância e sintonia, a dupla terá a missão de defender o pavilhão verde, branco e ouro em um desfile que exige leitura clara do enredo e forte presença cênica.

A comissão de frente, assinada pelo coreógrafo Patrick Carvalho, aposta em movimentos que dialogam com a ideia de transformação constante, explorando a fluidez e a versatilidade como conceitos centrais da apresentação inicial da escola.

Durante a preparação para o desfile, o barracão da Imperatriz recebeu visitas importantes, entre elas a do próprio Ney Matogrosso, que acompanhou parte do desenvolvimento das alegorias e fantasias. A presença do homenageado reforçou o caráter simbólico e afetivo do projeto junto à comunidade.

Para Cátia Drumond, o foco da escola é transformar toda a preparação em um desfile consistente. "A Imperatriz tem uma história muito forte e uma comunidade que sabe o que é carnaval. Cada detalhe foi pensado com responsabilidade e amor pela escola, para que a gente possa fazer um grande desfile", afirma a presidente.

Com um enredo que celebra a liberdade artística, a diversidade e a potência da música brasileira, a Imperatriz Leopoldinense entra na Sapucaí neste domingo de carnaval reafirmando seu legado e sua ambição competitiva, apostando em um espetáculo de emoção, estética e identidade.