Tecer o adeus
Sandra Gonçalves expõe no Centro Cultural Correios RJ um conjunto de imagens que mergulha nas complexidades da vida, da morte e da transitoriedade
Despedir-se não é simples. Nunca foi. Sandra Gonçalves encontrou na fotografia uma forma de transformar a experiência da perda em linguagem visual — densa, poética e perturbadora e, por que não, bela. É o que propõe "Tessituras do Adeus", exposição da artista gaúcha em cartaz no Centro Cultural Correios RJ, com curadoria de Letícia Lau.
O conjunto de imagens apresentado na mostra é resultado de um processo meticuloso: Sandra funde suas próprias fotografias com achados digitais, criando composições híbridas que embaralham tempo e memória. Cada imagem carrega o peso de experiências pessoais de despedida, mas a artista recusa o sentimentalismo: o trabalho investiga questões como a finitude e convida o espectador a um confronto consigo mesmo, com sua própria mortalidade e com os rastros que ela deixa.
A curadoria organiza as imagens como o que Letícia Lau chama de "frase-imagem" — sequência fotográfica sem conjunção, dividida em três momentos: a metáfora da aranha e do tempo, formada pelas tramas tecidas por elas; imagens que narram a espera, o caminho desconhecido e a fragilidade do ser; e fotografias que abordam a finitude e a sublimação, ecoando uma atmosfera etérea e espiritual. "Sandra Gonçalves, com sua habilidade de tecer memórias e imagens, oferece ao espectador um convite a explorar o que significa ser humano. Através de suas fotografias, ela nos lembra de que, embora a vida seja efêmera, as conexões que fazemos e os momentos que capturamos têm o poder de transcender o tempo", afirma a curadora.
Professora e pesquisadora de fotografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sandra Gonçalves tem na finitude um território recorrente de investigação artística. Carioca, a artista reside em Porto Alegre desde 2005 e assina fotolivros como "Cápsula" (2021) e "La Vie en Rouge" (2024). Suas obras integram acervos de museus e coleções particulares, e "Tessituras do Adeus" representa um dos trabalhos mais maduros de sua trajetória — aquele em que a pesquisa e a experiência pessoal se fundem com maior intensidade.
Para quem quiser aprofundar o olhar sobre a exposição, Sandra realiza visitas guiadas com o público neste sábado (28) e no dia 14 de março, sempre às 15h30.
SERVIÇO
TESSITURAS DO ADEUS
Centro Cultural Correios RJ (Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro)
Até 14/3, de terça a sábado (12h às 19h)
Entrada franca
