Isto (é ou) não é um prompt (?)
Mostra digital reúne na Meta Gallery instalações de IA que reagem de forma autônoma em relação aos visitantes
Mostra digital reúne na Meta Gallery instalações de IA que reagem de forma autônoma em relação aos visitantes
Espaço pioneiro em arte digital no Rio, a Meta Gallery estende por mais um mês a exposição "Isto Não é Um Prompt", do artista computacional Marlus Araújo, que agora conta com uma atração adicional. A mostra, que explora as possibilidades criativas da inteligência artificial através de instalações interativas, permanece em cartaz até o dia 31.
A novidade que motivou a prorrogação é "O Tao do Algoritmo", uma animação holográfica cocriada com IA que recebe os visitantes logo na entrada da galeria. A obra parte do símbolo milenar do yin-yang e o desdobra em geometrias fractais, estabelecendo um diálogo visual entre dualidades: o código binário manifesta-se em luz e sombras, enquanto o orgânico e o artificial se entrelaçam em movimento contínuo num curioso diálogo entre tecnologias contemporâneas e o legado milenar da filosofia oriental.
Com curadoria da pesquisadora em Tecnologia e Sociedade Paula Martini, a exposição reúne agora quatro trabalhos que compartilham uma característica incomum: tomam a iniciativa da interação, reagindo à presença humana sem necessidade de acionamento direto. Essa inversão de papéis questiona a relação tradicionalmente estabelecida entre usuários e máquinas, colocando a IA em posição ativa de observação e criação.
Ainda antes de entrar na galeria, o público já é capturado por "Captura Involuntária", instalação que produz visualizações em tempo real das pessoas que transitam pela calçada, funcionando como um convite visual para adentrar o espaço expositivo. Uma vez dentro, "ElementAIs" oferece experiências visuais imersivas ao traduzir os elementos da natureza através de algoritmos de inteligência artificial, criando ambientes que se transformam continuamente.
O ponto alto da mostra é "Maboroshi", escultura robótica desenvolvida em parceria com Gabriela Castro. Equipada com sensores de movimento, a obra acompanha os visitantes com o olhar, invertendo a dinâmica habitual das exposições e gerando a inquietante sensação de ser observado pela própria arte. O nome japonês, que pode ser traduzido como "ilusão" ou "fantasma", reforça essa experiência perturbadora de vigilância tecnológica.
"Trata-se de uma Inteligência Artificial que, em vez de ser acionada pelo usuário, toma iniciativa da primeira ação", explica Marlus Araújo, que questiona assim o papel passivo tradicionalmente atribuído às máquinas, propondo uma reflexão sobre autonomia tecnológica e os limites cada vez mais difusos entre observador e observado, criador e criatura, humano e artificial.
SERVIÇO
ISTO NÃO É UM PROMPT
Meta Gallery (Rua da Assembleia, 40, Centro) | Até 31/10, se segunda a sexta-feira (10h às 18h) | ntrada franca